SOBRE O SITE BRINQUEDOS DE FAROESTE



 

Como eu afirmei em recente entrevista ao programa de rádio do colecionador Marcos Claudino, o faroeste foi o maior fenômeno cultural do século XX.

 

A manifestação cultural em torno do tema faroeste vem, em verdade, do fim do século XIX, com romances e histórias infantis publicados nos EUA. Na seqüência, ainda no século XIX, surge o circo de Buffalo Bill e, através deste circo, o faroeste, como entretenimento, ganha amplitude mundial.

 

Inicia o século XX, se confundindo com a invenção da fotografia em movimento, ou cinema, e o primeiro filme da história é um filme de faroeste – O Grande Roubo de Trem.

 

A partir daí as salas de projeção se espalham pelo mundo e são invadidas por filmes de faroeste de todos os tipos, desde os grandes clássicos até os não tão clássicos, mas divertidos.

 

Meados do século XX, surge a televisão, e o fenômeno faroeste logo ocupa o espaço televisivo, seja através de filmes como, também, das grandes séries de TV sobre o tema faroeste.

 

Isto tudo acompanhado por milhares de títulos de livros, bolsilivros e quadrinhos dedicados ao tema faroeste, que ao longo do século XX vendem bilhões de unidades, e alimentam as fantasias infantis e juvenis de várias gerações.

 

A partir de 1930 começam a chegar os brinquedos ligados ao tema faroeste, e logo se espalham pelo mundo. Revólveres, rifles, arcos e flechas, roupas de cowboy, de índio, fortes, carroças, etc.

 

Afirmo sem medo de errar – nada no século XX teve relevância similar ao que menciono acima.

 

Se situarmos o fenômeno entre 1880 e 1980 chegamos a 100 anos – o século do faroeste como principal tema das manifestações culturais mundiais.

 

Na União Soviética e na China comunistas, os donos do poder e seus amigos conseguiam assistir filmes de faroeste contrabandeados, o que era proibido aos demais cidadãos para preservar sua “pureza”. Para provar a superioridade do comunismo sobre o capitalismo a URSS chegou a produzir seus próprios filmes soviéticos de faroeste. Não há notícia de que algum deles tenha feito sucesso. Não sei quem vencia as batalhas nos faroestes russos – se os trabalhadores do exército ou as minorias indígenas perseguidas pelo sistema, ou se as batalhas terminavam em empate.

 

A partir de 1980 o fenômeno faroeste rapidamente desaparece. De uma forma, a meu ver, inexplicável. Inexplicável porque continuavam e continuam vivas milhões de pessoas que se criaram assistindo, lendo e/ou brincando de faroeste. Mas este público parou de consumir faroeste, de uma forma quase instantânea e sincronizada, em nível mundial.

 

O faroeste desapareceu praticamente sem deixar rastro.

 

Falar de faroeste hoje soa como algo de “nerd” perante nossos contemporâneos. Tenho 38 anos e raramente consigo falar sobre filmes de faroeste ou séries de TV com aqueles que estão na mesma faixa etária. Meus contemporâneos gostam de coisas como Matrix, de Diários da Motocicleta, jogos de computador, itens de tecnologia, carros, e por aí vai.

 

Falar sobre brinquedos de faroeste então, nem pensar.

 

Claro que ainda existem apreciadores de faroeste, entre os quais se incluem este escriba e o leitor deste artigo, mas é algo muito localizado, muito de nicho. Uma pequena prateleira dedicada ao tema nas vídeo-locadoras, uma pequena seção dedicada ao tema nas grandes lojas de DVD, algumas poucas unidades de Forte Apache em algumas poucas lojas de brinquedos, as revistas da Bonelli Comics. E é basicamente isso.

 

É como se uma borracha tivesse sido passada sobre o gênero faroeste, com quase 100% de eficácia.

 

Eu fui criado numa infância de faroeste, com filmes, séries, revistas e, principalmente, brinquedos ligados ao tema. E não renego meu passado. Gostei, e ainda gosto de faroeste, e, além de colecionar brinquedos, coleciono também filmes e revistas de “bang bang”.

 

E foi para tentar erguer uma humilde barreira a esta borracha que teima em apagar o faroeste da memória das pessoas que decidi criar um site vinculado ao tema, basicamente a brinquedos de faroeste.

 

Dividi a idéia com amigos colecionadores, todos apoiaram o projeto. Passei então ao levantamento dos custos para criar e colocar o site no ar. Neste momento os amigos passavam cada um por seus problemas financeiros e, para não deixar o site morrer antes mesmo de existir, eu paguei todos os custos necessários.

 

E tem sido assim até hoje.

 

Pago pelo domínio e pela hospedagem.

 

E, além disso, pago para uma empresa que faz as atualizações bimestrais.

 

Isto tudo, ao longo de cada período de 12 meses, custa um bom dinheiro.

 

Amigos sugerem – “para de gastar com esta empresa, arruma alguém que goste de internet para fazer isto de graça para você”.

 

A sugestão é cheia de boa intenção, mas eu não acredito que as coisas funcionem assim. Para manter o site no ar, e com qualidade, tem que ser com profissionalismo, e só consigo isto com a contratação de uma empresa especializada, que cumpre o que eu determino, quando eu determino.

 

O valor que pago pelas atualizações é vinculado ao número de artigos e, também, ao número de fotos publicadas. Como o site já possui uma quantidade grande de fotos em arquivo, o custo de hospedagem também está ficando mais caro.

 

Diversos amigos enviam artigos para publicação. O site também deve sua existência a estas pessoas que se dedicam a escrever matérias interessantes, e enviar para publicação.

 

Não há nenhum custo para quem envia artigo para publicação, é totalmente gratuito, Todo o custo de publicação é pago por mim.

 

É comum as pessoas me enviarem uma quantidade grande de fotos, e eu, como editor do site, seleciono algumas (as melhores) para publicação. Isto ajuda a reduzir meu custo de publicação.

 

Também junto alguns assuntos num artigo só, chamado “diversos”, para reduzir custos.

 

Nunca nenhum autor reclamou disto.

 

Recentemente, pela primeira vez, um autor reclamou da forma como o artigo dele foi publicado e da pouca quantidade de fotos publicadas. Expliquei a ele tudo o que está escrito aí em cima, e resolvi escrever este artigo para que estas explicações sejam de conhecimento de todos os que acompanham o site, sejam autores ou leitores.

 

Em fevereiro passei a disponibilizar no site anúncios do Google e a própria caixa para pesquisas Google. O Google remunera o site por clicks e pesquisas efetuadas e, embora esta remuneração seja pequena, ao longo do tempo vai me ajudar a pagar os custos de manter o site no ar e atualizado.

 

Mas atenção – os anúncios Google só devem ser clicados se o leitor estiver de fato interessado em conhecer o produto ou serviço anunciado.

 

Conto com a compreensão dos autores e leitores para as questões expostas acima.

 

Desejo que o site não só mantenha o número atual de leitores (aproximadamente 5.000 por mês, mesmo nos meses sem atualização) como, também, cresça, de forma a poder se solidificar como trincheira de resistência na preservação do tema faroeste vivo.

 

Um abraço a todos.

 

Marcos Guazzelli
Março de 2008





Comentários

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De: Lucas Durand
A editora protexto, www.protexto.com.br lançou um excelente faroeste POR UM BEIJO, APENAS...ALLAN FOSTER. Um grande abraço.