RECONSTRUINDO O GRANDE FORTE APACHE CASABLANCA



Prezados admiradores do universo dos brinquedos de faroeste 

Em uma longa série de artigos anteriores, já tive oportunidade de falar bastante sobre brinquedos de faroeste. Neste artigo falarei sobre a realização de um sonho.

Como mencionado em artigos anteriores, a Casablanca lançou o Forte Apache no Brasil em 1964 e, na extensão do meu conhecimento, produziu ao todo 4 modelos diferentes de fortes, até ser destruída por um incêndio em 1969. (Pesquisa posterior demonstra que não há evidência que suporte a ocorrência deste incêndio, de forma que o fim da Casablanca permanece um mistério....).

Os primeiros 3 modelos eram basicamente iguais, variando a tonalidade da madeira e a forma como o nome Fort Apache era apresentado no pórtico do forte. Em 1968, no entanto, houve uma grande inovação. O forte foi inteiramente reformulado e transformou-se no Grande Forte Apache Casablanca. Este forte foi:
-  O maior (dimensões) produzido tanto no período Casablanca quanto no período Gulliver;
-  O que mais se assemelhou ao forte que aparecia na série de TV Rin-Tin-Tin; e
-  (em minha opinião) O forte mais bonito de todos.

Nas minhas andanças de colecionador de brinquedos de faroeste, que inclui viagens a diversos estados do Brasil para visitar colecionadores e suas coleções, consegui identificar 4 pessoas que possuem este modelo. É, portanto, um modelo bastante raro e difícil de conseguir.

Em 2003 o colecionador de forte apache Pedro Pacheco de SP comentou num estabelecimento comercial que freqüenta em suas cidade qual era o seu hobby. Para sua surpresa, o proprietário deste estabelecimento comercial disse que tinha em casa um forte apache de sua infância, que estava completamente abandonado há mais de 30 anos e que, se o Pedro quisesse, seria dele.

O Pedro Pacheco foi ver qual forte era e, para a sua surpresa, era o Grande Forte Apache Casablanca em péssimo estado de conservação, como demonstram as fotos abaixo que foram tiradas no dia em que o Pedro ganhou este forte (a cabeça e as mãos que aparecem nas fotos abaixo são do Pedro Pacheco).

                            


Além do péssimo estado de conservação, o forte havia se transformado no paraíso dos cupins, como demonstrado abaixo:


Não bastassem os cupins, muitas partes do forte estavam quebradas, como no exemplo

abaixo:


 

Na oportunidade em que ganhou este forte o Pedro quis dividir sua alegria comigo. Pude então dizer para o Pedro que um dos meus maiores sonhos de colecionador era ter este forte.

Bom, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura..............., em agosto de 2004 consegui, finalmente, convencer o Pedro a me vender o forte no mesmo estado em que se encontrava no dia em que ganhou (um pouco mais comido por cupins).

Fechado o negócio, me veio logo a mente o nome de Luiz Carlos Pagliarini (conhecido no meio dos colecionadores como Macarrão), pois o Luiz além de ser um mago das madeiras é, também, um dos grandes colecionadores de forte apache do Brasil. É o Luiz que aparece nas fotos apresentadas na seqüência deste artigo.

Pedi ao Pedro que encaminhasse o forte diretamente para o Luiz fazer seu “diagnóstico”. Lá chegando, o Luiz me falou que a situação era muito difícil, mas que ele iria ver “o que era possível fazer”. Reiterei que confiava no seu talento.

Por fim, o Luiz aceitou o desafio e iniciou o processo de restauração apresentado a seguir. O primeiro passo foi identificar as partes que precisavam de restauração (praticamente tudo). Na seqüência o forte foi inteiramente desmontado, e recebeu uma aplicação de produtos para eliminar cupins (foram retirados aproximadamente 100 cupins deste forte, segundo o Luiz). A aplicação do produto é buraco a buraco.

                                    


Vencidos os cupins, os espaços vazios (muitos) que eles haviam deixado precisavam ser preenchidos. Este preenchimento é feito com a injeção de uma massa especial para madeira denominada F 12.

                                    

Algumas partes do forte estavam tão destruídas que era impossível recuperá-las. O Luiz teve que refazê-las com madeira nova. O interessante é que o Luiz consegue madeira igual à que era utilizada pela Casablanca/Gulliver, ou seja, madeira ondulada.

Tapados os buracos com massa, e refeitas as partes irrecuperáveis, é hora da pintura. Para tanto, o Luiz utiliza tintas que se aproximam bastante das que eram utilizadas pela Casablanca/Gulliver.

Restauradas e pintadas as partes desmontadas, o Luiz partiu para a remontagem do forte, incluindo partes a serem coladas e partes a serem pregadas.

 A montagem é uma etapa delicada, que exige atenção.

Concluída a remontagem das partes do forte, o trabalho está quase pronto. É hora de mais um banho de produtos anti-cupim. Feito isto, o artista posa orgulhoso com sua “criação” quase pronta.

Montadas todas as partes faltava apenas o nome Fort Apache. Isto foi solucionado fotografando-se o nome de outro forte, que estava em bom estado, e imprimindo em papel especial.

Cumprida esta última etapa, o forte estava pronto para ser enviado ao seu dono que, a esta altura, não agüentava a ansiedade (coisa de colecionador).

Foram quase três meses de trabalho de restauração onde mantive uma “ponte telefônica” entre Curitiba e Campinas para acompanhar o andamento dos trabalhos.

Em sua chegada a Curitiba, para garantir..., o forte recebeu mais 1,5 litros de Jimo Cupim. Isto após a confirmação da qualidade do trabalho do Luiz. O forte está novo. Me senti como se estivesse em 1968.

Montado, já está pronto para se integrar à coleção, onde um espaço vazio esperava por ele:

Pela realização deste sonho de colecionador tenho que agradecer:

-        Ao proprietário do referido estabelecimento comercial que doou este forte ao Pedro Pacheco;

-        Ao Pedro Pacheco que aceitou vende-lo para mim;

-        Ao Luiz Carlos Pagliarini que, com seu talento, soube recuperar algo que se encontrava praticamente destruído.

Até a próxima.





Comentários

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De: edson brognara
tenho um forte apache igualzinho a este só que em estado de novo como estivesse saido da loja que vender interessa, meu e-mail é gidycorretor@yahoo.com.br


De: ENEAS ALVES
ACHO SUPER IMPORTANTE PARA TODOS OS COLECIONADORES ESSA TROCA DE INFORMAÇÃO, E MAIS, POR SER UM BRINQUEDO MAIS ADMIRADO NO BRASIL E TER MAIS DE MEIA DÉCADA DE EXISTENCIA DEVERIA TER MAIS COLECIONADOR DO GÊNERO, O QUE FALATA?


De: Apamora73@yahoo.com.br
fico aqui imaginando a ansiedade do proprietario enquanto o forte era recuperado,e a emoçao ao te-lo em maos,velho! Estas coisas so os amantes deste temas sabem explicar, parabens ao vendedor,parabens ao aquisitor e parabens ao restaurador! E inefavel o talento desse restaurador!


De: mauriciosbr@bol.com.br
É gratificante, ver o resultado do trabalho do Luiz; ficou melhor que o original; Parabéns ! .Onde vc "consegue" a madeira igual a do Forte Apache ?


De: Tadeu Buono
Parabéns pela aquisição , parabéns também pela recuperação .Queria eu ter esta sorte de ter alguém que me desse um forte apache antigo para mim . Se vc tiver bonecos tipo cowboy , soldados e indios gulliver e casablanca da década de 60 , que queira vender estou interessado . Meu e-mail é buono@policiamilitar.sp.gov.br . Um abraço .


De: Rogerioalvesmt1964@hotmail.com.br
Boa tarde,é muito bom saber que não estou só nesta aventura e só fiquei sabendo a um ano quando comecei a navegar na internet.Até a idade dos 14 anos eu tinha vários índios,cawboys,soldados,confederados,Daniel B. alguns componentes da áfrica misteriosa,animais,o fantasma,o zorro,mas nunca tive uma coleção completa ou um fort apache os únicos personagens em maior número que obtive foram os da independência do Brasil,e por motivo de pressão dos amigos e familiares resolvi dar todos os meus brinquedos a meu primo mais novo afinal de contas já estava ficando um rapaz,hoje tenho 47 anos e desde de 1994 venho garimpando pelas lojas e quando encontro na maioria da guliver em plástico coloridos ou marron eu os pinto com as cores características.Gostaria de saber porque a guliver não fabrica mais estes personagens e o que ela fez com as fôrmas destes bonecos, se é que eles eram feitos deste modo. MUITÍSSIMO OBRIGADO.


De: Dinilson
duas coisas a destacar nesse tópico: 1.a arte de Paglianini, um verdadeiro artesão no sentido mais pleno da palavra; 2. o fato de que no Brasil dos anos 60 uma empresa tenha desenvolvido um brinquedo tão sofisticado e primoroso.


De: mauricio zanirato
os Fortes Apaches dos anos 70 me marcaram muito, pois eu morei em São Caetano proximo a guliver e minha mãe e minhas irmãs pintavam hominhos e cavalin


De: Jorge d.jorgecarvalho@hotmail.com
parabens moço, essa arte que vc faz é um dom que pouca gente tem, estou tentando fazer o meu, minha maior dificuldade é com as rodas das carroças.


De: Luis Carlos Pagliarini
Parabens, não sabia que tinha outro Luis Carlos Pagliarini


De: jorgetitas31
PARABENS VC E O CARA TEM TUDO NA SUA COLECÃO, E AINDA DAR AULA DE COMO RECUPERAR AS COISA QUE INFELIZMENTE O TEMPO ACABA.


De: Danilo de Melo
Meu forte começou a dar cupim. Ou aquele outro bichinho parente dele. Só em um dos lados da frente do forte. SOCORRO! danilodemelo@bol.com.br


De: alberto torres
sou apaixonado por tudo que se diga farwest,bonecos,gibis,livros etc...e gostaria muito de contruir um fort


De: Mário Nogueira Neto
Eu tinha quase todos: Jerônimo, Cochise, Cabo Rusty, Rin Tin Tin, Bat Masterson, David Croket, e muitos, muitos outros. Meus irmãos destruiram.


De: Henrique Nogueira
Também tive um Forte Apache destes e uma Caravana por volta de '68 ou 70.Os brinquedos eram muito bem feitos. Os de hoje são uma vergonha!Saudades!


De: Tadeu Mahfud
Linda matéria. O Pagliarini é mesmo um doutor dos fortes! Quantas recordações, este grand forte é um colosso!!


De: rubem paulino junior
legal cara pois eu tive um desses nos anos 80 era muito magico e tambem parabens pela dedicação de restauração vou tentar fazer um igual valeuuuuuuuuu


De: Anna
Parabéns pela criatividade e por nunca deixar morrer a infância dentro de vc... Um Forte Apache é o sonho do meu namorado, tentarei fazer um para ele também, mas tenho certeza de que não será tão lindo quanto o seu!


De: ELCIO - Sorocaba
Parabéns pela sua dedicação. É a paixão pela história e pelas tradições que cria e preserva o que a infância nos legou. Também tive forte apache e hoje procuro por um que seja o mais parecido possível com os originais dos anos 70. Parabéns.