VIRGÍNIA CITY



Amigos colecionadores de brinquedos de faroeste,

Acredito que o conjunto Virgínia City seja o brinquedo mais “misterioso” da fase Casablanca. Misterioso porquê é raríssimo de encontrar e porquê a maioria dos colecionadores sequer sabia de sua existência.

Eu tomei conhecimento da existência do Virgínia City numa conversa com o colecionador Fernando Camargo, de São Paulo, realizada no final de 2002. Posteriormente a esta conversa localizei uma referência ao conjunto na edição de natal de 1968 da revista Claudia, mas sem imagens.

Mais recentemente consegui, através do mesmo Fernando Camargo, as listas de preços dos produtos Casablanca de 1966 e 1967. Na de 1967, conforme mencionado em artigo anterior, está anotado á mão o nome Virgínia City e o seu preço, o que indica que o conjunto foi lançado no final daquele ano e só constou na lista de preços oficial a partir de 1968.

Em meus contatos com a Gulliver indaguei se tinham alguma informação ou imagem do brinquedo. Responderam que nada restou.

Contatos com pessoas que tiveram o brinquedo na infância, e que falavam de memória, indicavam que o brinquedo era de madeira. Ah esta nossa memória que sempre nos prega peças...

Por fim, afirmei no volume II da Enciclopédia do Forte Apache que não existia nenhuma imagem do brinquedo Virgínia City...

Aí o leitor Paulo Raguenet, médico Brasileiro que vive na França, me enviou um e mail cujo título era “Quem disse que não existe foto do Virgínia City?”. Foi uma grande alegria para mim, pois o Paulo possuía duas fotos do brinquedo, de julho de 1969. A primeira foto, abaixo, apresenta os três irmãos brincando de faroeste, sendo que o Paulo é o que está sentado na frente do Virgínia City. Atrás dele está a caixa do brinquedo, dá para ter uma idéia do seu tamanho.

É impossível olhar para esta foto sem lembrar dos saudosos tempos das nossas infâncias, das inúmeras “aventuras” que vivemos com nossos brinquedos Casablanca e Gulliver. É uma imagem de um outro tempo, magnífico, mas que foi embora para nunca mais voltar. É uma imagem de inocência, que com certeza traz lágrimas aos olhos, misturadas com recordações.

Segundo as informações fornecidas pelo Paulo o conjunto vinha com duas bases de madeira de aproximadamente 60 cm X 30 cm cada. Eram pintadas de uma cor que se situava entre o amarelo e o verde. As casas eram formadas por dois conjuntos, TODAS EM PLÁSTICO. As casas eram feitas em plástico marrom, imitando tábuas na horizontal. Possuíam telhado vermelho, com telhas esculpidas.

O primeiro conjunto, que será mostrado do lado esquerdo da foto seguinte, era composto pelo Bank of Virgínia, Armazém (este em português) e Sheriff. As 3 placas, com o nome de cada estabelecimento, eram fixadas por encaixes nas beiras das meia-águas que cobriam as calçadas. Acima da meia água do Sheriff havia cinco orifícios para encaixe de cinco “palitos” de plástico que simulavam as ponteiras dos telhados, como vemos em filmes de faroeste.

O segundo conjunto, mostrado do lado direito da foto seguinte, era formado por duas casas, sendo a menor a da estrebaria (OK Curral) e a maior o escritório da Wells Fargo. O terceiro prédio deste segundo conjunto era independente (não colado nos demais) e correspondia ao saloon no térreo e hotel no segundo andar. Este prédio era em plástico amarelo. O saloon possuía a porta tradicional com duas folhas, mas eram fixas. O hotel possuía uma balaustrada em plástico branco que fazia o contorno na parte da frente da construção.

Os conjuntos tinham uma peça em cor caramelo para se encaixar nas suas bases e formar as calçadas.

Havia ainda 3 escadas de 3 degraus cada uma para permitir o acesso da rua à calçada. Também vinham dois bancos de três lugares cada um.

As três casas que aparecem ao fundo na foto são da Papae Noel e não pertenciam ao conjunto Virgínia City da Casablanca.

No brinquedo da foto está faltando o telhado meia-água que ficava em frente à Wells Fargo (primeiro prédio do conjunto da direita).

Como comentado no artigo Enciclopédia do Forte Apache – volume II o armazém vinha com caixas de rifles. Os rifles eram como este da imagem abaixo:

As fotos do Paulo me trouxeram grande satisfação. Primeiro porquê me permitiram ver pela primeira vez como era o brinquedo Virgínia City. Segundo porquê, vasculhando a minha coleção, descobri que eu possuía uma das peças da Virgínia City (o curral e a Wells Fargo), peça para a qual, até então, eu não dava a menor importância. Esta peça da minha coleção está na foto abaixo. A foto é muito ruim porquê minha câmera estragou e tive que tira-la com a câmera do celular.

Há algum tempo atrás foi lançado pela Pandabooks o livro Mofolândia. Nele há uma parte sobre brinquedos de faroeste, com a qual participei e meu nome está na seção de agradecimentos do livro. No entanto, referido livro diz que o nome do Virgínia City foi em homenagem ao seriado O Homem de Virgínia. Esta informação não partiu de mim. O nome Virgínia City refere-se à cidade que ficava próxima à Fazenda Ponderosa no seriado Bonanza.

Bom, esperei tantos anos para ver uma imagem do Virgínia City e, no mesmo dia em que o Paulo me enviou as fotos dele, o colecionador Luiz Carlos Pagliarini de Campinas conseguiu com um amigo dele a foto abaixo, de 1974. O nome do referido amigo é Samy.

Nesta foto é possível ver, da esquerda para a direita, o saloon da versão 1 do Gunsmoke, o banco, armazém e xerife do Virgínia City (sem o telhado meia-água), o saloon da versão 2 do Gunsmoke e, por fim, dois prédios do conjunto Bat Masterson (este conjunto merecerá um artigo específico tão logo eu consiga mais informações sobre ele).

Para finalizar, milhões de agradecimentos ao Paulo Raguenet e ao amigo do Luiz Pagliarini que cederam suas fotos para que este artigo fosse possível. Que sirva de estimulo a outras pessoas que possuam imagens em casa para que vasculhem seus arquivos e dividam estes tesouros com a gente.

Marcos Guazzelli

PS: Ao observar esta última imagem o Paulo Raguenet constatou que as duas casas do conjunto Bat Masterson são iguais ao saloon do Virgínia City, só faltando a sacada. Isto significa que a Gulliver herdou da Casablanca os moldes do Virginia City e utilizou-os ao produzir o conjunto Bat Masterson no começo dos anos 70.





Comentários

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De: Samy Huven
Esta foto é da minha irmã Helga , onde bricavamos ! Tinhamos ao todo 316 personagens entre indios soldados do Forte Apache , cavalaria , xerife , Bandidos , cowboys , Cavalos , ! Em nossa A virginia City tinhamos , 05 casas plasticas (02 Saloon , 02 Banks , 01 Expresso , e complementava vários outros conjunto como zorro , Forte Apache , batmarteson , carroças com caixas com espingardas , deligencias , canhões ,e um trem de ferro ! Ainda estou proucurando na casa da minha avó , por algumas raridades que guardei ! Como era bom ser criança !!!Samy Huven e Helga Huven ;Obrigado por publicarem nossa foto ! samyh64@hotmail.com


De: renecardoso@bol.com.br
Marcos,Poderia enviar para mim o e-mail de Fernando Camargo,grato René.


De: Alberto Jorge Felipe Júnior
Esse foi seguramente o brinquedo que mais marcou minha infância. Ganhei-o em um natal no final dos anos 60 e foi uma revolução. Eu e meu irmão passávamos praticamente o dia inteiro simulando as situações que assistíamos no cinema. Inesquecível!


De: João Luiz
Tive um V City que ganhei no natal de 67(marcado em meu diário).Ainda tenho um prédio em pástico e algumas figuras.


De: Tadeu Tufie Mahfud
É infinito meu ar de nostalgia ao ver as fotos. Eu tive o set gunsmoke, 2 fortes Gulliver e mtos bonequinhos. Todos se perderam no tempo. Saudades!!!


De: Arnaldo Sartorato Junior
Tive em minha infancia,o Acampmento Apache, Virginia City, Forte Apache e Zorro,hoje pude mostrar aos meus filhos.Emocionado agradeço OBRIGADO!!!