O FIM DA PINTURA



A história dos brinquedos de faroeste no Brasil passa por várias fazes. O início, em 1964, é com apenas um brinquedo – o Fort Apache – acompanhado de figuras com pintura de qualidade bem rudimentar.


No entanto, muito rapidamente o mercado para este produto demonstra seu potencial e a Casablanca começa a lançar mais conjuntos e melhorar a qualidade das figuras. Os anos de 1967 a 1969 compreendem o período que costumo chamar de época de ouro dos brinquedos de faroeste.


Em 1970 a linha de brinquedos de faroeste passa para a Gulliver e, embora a qualidade e quantidade já não seja a mesma da Casablanca, ainda são lançados conjuntos muito bonitos e com bastante variedade, até 1974.


A partir de 1975 os brinquedos da linha faroeste perdem um pouco de qualidade / detalhes / variedade. Vou denominar o período que vai até 1979 de anos de prata.


Os anos de 1980 a 2000, com altos e baixos, poderiam ser denominados de anos de bronze. A partir do ano 2000 seria o que? Anos de latão? Bom, os produtos que atualmente são produzidos pela Gulliver para a linha faroeste são aquilo que o mercado comporta, ou seja, se não há brinquedos melhores é porquê o mercado, infelizmente, não tem o tamanho necessário para sustenta-los. Mas mais uma vez alerto – mesmo de qualidade não muito boa, adquiram o Forte Apache ainda produzido pela Gulliver para vocês ou para seus filhos, senão em breve este brinquedo que tanta importância teve nas nossas vidas pode virar história. Eu tenho vários em casa, guardados dentro de suas caixas e plásticos originais, aguardando um possível filho que ainda não tenho.


Dentro do período de 1975 a 1979, que denominei de anos de prata, é possível identificar uma mudança importante, dentro da linha de decadência que estes brinquedos enfrentaram ao longo do tempo – o fim da pintura.


É em 1978 que são lançadas as primeiras figuras sem pintura, apenas na cor do plástico colorido. Isto aconteceu com os cavalos das carroças, com soldados, índios e cowboys, e até com brinquedos de outras linhas da Gulliver, que não faroeste.


As figuras clássicas da Gulliver seriam produzidas somente até 1979 e a partir de 1980 entrariam as figuras Atlantic (as mesmas que são produzidas até hoje) totalmente sem pintura. A tinta retornou a partir de 1986 e desde então a sua qualidade apresenta períodos de altos e baixos.


Na década de 70 os cavalos das carroças eram os cavalos modelos Elastolin, ou cavalos “gordos” como chamam alguns colecionadores. Em 1978 foram lançadas as carroças com cavalos na cor do plástico, mas com os cavalos americanos (na denominação Casablanca) ou cavalos “magrinhos” conforme os colecionadores. As carroças eram acompanhadas por uma figura de cowboy, também na cor do plástico. Vide a imagem do catálogo abaixo, com o carimbo de “novo”:



Na seqüência imagens das figuras de cowboys, índios e soldados na cor do plástico, todos lançamento de 1978:



Interessante observar, na imagem acima, que as figuras de animais e ferramentas do Chaparral também foram lançadas na versão sem pintura. Até as figuras denominadas de trapalhões ou de brincalhões, dependendo do ano, reaparecem nesta versão sem pintura.



O lançamento destas figuras sem pintura era uma demonstração de que a linha faroeste perdia fôlego e que, portanto, havia necessidade de reduções de custos.


A continuação desta história nós já sabemos qual foi.


Até a próxima.

Marcos Guazzelli





Comentários

Enviar comentario

De: Henrique Nogueira
Perfeita essa tua matéria, Marcus. E é lamentável as verdades: A partir de 1974, as figuras não só deixaram de ser pintadas mas perderam a qualidade.