DIVERSOS – MARÇO DE 2018



1. A história da criação e construção do Forte Pioneer, de Gilberto Resende

(texto de Gilberto Resende)

Tudo começou quando um colecionador gaúcho, vendo um trabalho meu, Hacienda Vega, projeto e desafio proposto pelo Raul Aguiar, encomendou uma também.

Ele ficou tão satisfeito com a Hacienda Vega que perguntou se eu faria para ele um Forte Apache com o mesmo apuro. Então fiz um rascunho de um Forte Apache e ele aprovou.

O primeiro Forte tinha na parte  traseira um casario imitando alvenaria.

Ele adorou o Forte apache, e ainda propôs que eu fizesse mais um, mas só que agora totalmente com material imitando troncos, assim como eram feitos os fortes dos primeiros colonos da América.  Já quando fiz o primeiro Forte Apache, embora tendo feito um rascunho, aprovado pelo solicitante, o papel aceita tudo, e eu não tinha ideia do material que iria usar para fazer os troncos. Foi quando vi que em um dos vasos de minha mulher havia um material chamado vareta de junco, nome que descobri posteriormente após pesquisar com um arquiteto. São galhos secos usados para fazer os arranjos de vasos.

Percebi que este material seria ideal para imitar os troncos de árvores para a proporção da escala 1/30, então fui até uma casa de flores artificiais por ela indicada e comprei feixes desta vareta. As partes mais grossas foram destinadas às paliçadas do forte e as mais finas às guaritas das extremidades. Separadas as partes mais grossas das mais finas em pedaços simétricos, 16 cm para os troncos da paliçada e 9 cm para as guaritas, faz-se as pontas manualmente. Este processo manual produz um efeito bem natural, pois os postes não ficam do mesmo tamanho dando um efeito de casualidade bem próximo da realidade. Já o casario do forte é feito de tábuas de madeira mesmo, só que fresadas horizontalmente para imitar troncos, e para dar um “toque especial” é colado nas pontas das edículas apenas pontas de vareta de junco entrelaçadas, e assim dar a ideia de continuação dos troncos simulados pelo fresamento.

Já os troncos das paliçadas são unidos por três pregos e cola em duas traves de madeira horizontais paralelas de 4 x 1,5 cm, uma em pé junto ao solo e outra  aérea deitada, que faz também o efeito de passarela da paliçada.

No total das quatro laterais da paliçada são fixados, um a um, com cola e 900 pregos aproximadamente 300 pedaços de junco imitando troncos. O forte é totalmente desmontável  e suas paredes são interligadas por pregos alongados que entram em furos do mesmo diâmetro.

As traves horizontais feitas em madeira fresada são pintadas na cor dos juncos, os quais não levam tinta, preservando-se sua originalidade e cor. O trabalho é totalmente artesanal e leva em média um mês e meio para ficar pronto. O resultado é extraordinário e as demais imagens do Forte Pioneer falam por si.

2. Técnica de restauração de ponteiras

O colecionador Sylvio Maia resolveu compartilhar com os leitores do site sua técnica de restauração de ponteiras de tendas. Segue seu texto:

Esse problema é crônico - PONTEIRAS QUEBRADAS!!!

Eu uso canudos de desodorante.

Corta-se e enverga-se um pouco.

O ideal é ter uma tenda perfeita de modelo.

Se não tiver, vai por foto.

Eu uso a cola Trek Bond e a paciência ( R$ 8,00 em qq loja de artesanato). Cola  muito boa, melhor que super bonder.

Depois, ajusta-se a pintura de acordo com a cor da tenda, inclusive as mescladas, rosas ou brancas.

Essa foi a melhor técnica que consegui desenvolver.

Resolvi partilhar!

3. O herói Tex e seus pards – uma legião de fãs

(texto de Luiz Paulo Pizutti)

Tem sido um privilégio para nós, colecionadores, entusiastas e apreciadores de soldadinhos e de figuras em escala, miniaturas, brinquedos, temas históricos e tudo a eles relacionados, em especial no que diz respeito e versa sobre o faroeste e a história da conquista dos territórios selvagens dos EUA, embora não apenas isso, poder contar com um espaço tão especial e acurado, como é o site BRINQUEDOS DE FAROESTE. Criação e presente do Marcos Guazzelli, local onde nos encontramos todos periodicamente para trocar ideias, falar de novidades, achados, e fazer nossas consultas e leitura dos ótimos artigos, que ao longo de mais de 10 anos acabou formando um acervo de material inigualável, acessado também por interessados de fora do País, pois quase nada semelhante pode ser encontrado na internet, com tanta qualidade e conteúdo.

E dentro deste ambiente, ouso trazer alguma coisinha sobre aquele que, graças aos céus, permanece vivinho e sobrevivendo às futilidades e bobagens do tempo atual, onde há muita tecnologia, mas infelizmente pouco conteúdo que preste, a imortal criação do Mestre Giovanni Luigi Bonelli, com desenhos de Aurelio Gallepini: O Herói TEX WILLER.

Sérgio Bonelli, filho do criador, e editor de Tex por décadas, nos deu várias vezes a satisfação de sua presença no Brasil, em feiras de livros e quadrinhos, em especial na Fest Comix, evento anual da livraria Comix (uma heroína da resistência) em São Paulo-SP, onde eu tive a sorte de conseguir que ele me assinasse uma edição especial . Os italianos, tanto quanto nós, é sabido, são grandes apreciadores do gênero “western”, tendo, a meu ver, a maior produção de películas do gênero depois dos próprios EUA.

TEX é sem dúvida o herói do faroeste mais longevo da história em todo o mundo. Assim é que surgiu publicado na forma de tirinhas de jornal, em 1948, pouco depois da 2ª grande guerra, e a Editore Bonelli d’Italia, situada em Milão, edita e publica até hoje suas aventuras nos quadrinhos, em vários formatos, por todo o mundo. Tex está completando 70 anos de vida editorial em 2018.

Na minha infância, nos anos 60, década em que surgiu no Brasil o nosso ícone, o FORTE APACHE, seguido pelo ACAMPAMENTO APACHE, a CARAVANA, VIRGINIA CITY, CHAPARRAL e PONDEROSA, trazidos pela Casablanca, o gênero faroeste era muito difundido por aqui. As emissoras de TV mantinham em sua grade uma infinidade de westerns, dos melhores, séries inesquecíveis de TV eram exibidas diária ou semanalmente, como Roy Rogers, Rin Tin Tin, Bonanza, Chaparral, Bat Masterson, Daniel Boone, Laramie, Gunsmoke, Maverick, Big Valley, Cheyenne, ufa e vai por aí....nas bancas eram encontrados diversos títulos como Coyote, Matt Dylon, Texas Kid, Reis do Faroeste, Durango Kid, o Cavaleiro Negro, Bufalo Bill, Zorro e Kit Carson, só para citar alguns. E lembro que grandes produções do gênero também estreavam no cinema. O Dólar Furado, Django, por sinal italianos, e Shenandoah e Cimarron  ficaram meses em cartaz e, diziam meus pais, sempre com grandes filas.

Não tenho dúvidas de que por estas razões, nós que tivemos o prazer de saborear todo esse material fizemos com que os brinquedos de faroeste sempre tivessem tanto sucesso por aqui.

Mas aqueles tempos foram embora, ficaram para trás, e todo esse material, em todas as mídias e formatos, quase que desapareceu por completo. Hoje, muitíssimo menor é a produção cinematográfica do gênero, na TV nada de novo se faz, e a salvação para os apreciadores são as reprises, casuais apenas na TV por assinatura ou Netflix, e os DVDs que não são fáceis de achar, e alguns até absurdamente caros. Pois é, tá pior que os brinquedos e soldadinhos...hehehe!

Mas, por sorte, o TEX e seus pards, personagens maravilhosos, ainda estão aqui, ao nosso alcance. Sim, ainda e por enquanto: TEX, Kit Carsson, Jack Tigre, Zagor, Kit Willer, podem ser encontrados em boas bancas de jornais, publicados no Brasil,  pela Editora Mythos, regularmente, mas principalmente agora, também através de uma coleção imperdível e luxuosa composta por 60 livros capa dura, em cores, a coleção TEX GOLD, cujas lombadas formam uma imagem do herói desenhada pelo artista Giovanni Ticci, lançamento da Editora Salvat.

Qual colecionador ou apreciador do gênero e principalmente de soldadinhos do Forte Apache ou do Velho Oeste não se sente inspirado a praticar uma relaxante higiene mental com seus itens, ao rever as capas instigantes dos gibis do herói?

Lamentavelmente, nenhuma fábrica de toy soldiers ou figuras, que seja do meu conhecimento, pensou em criar uma coleção, pequena que fosse, reunindo Tex e seus companheiros, ao menos os principais personagens, na forma de figuras de 54mm ou 1/32, a consagrada escala. Nem agregar esses personagens a coleções já existentes. E olha que são publicados desde 1948!

A Louis Marx não fabricou nos EUA, talvez até porquê o personagem não é tão conhecido lá. As grandes espanholas Reamsa, Jecsan e especialmente a Comansi nada lançaram na Espanha. Nem tampouco as fábricas italianas.

Verdade que nos anos 60 a alemã Preiser Elastolin , as espanholas acima e a Britains fabricaram diversas figuras genéricas de cowboys, frontiersmen e  índios, que se enquadravam e encaixavam muito bem às características de cada um dos personagens de Bonelli.

 

E se a Gulliver tivesse levado adiante, há dois anos, seu projeto (pois havia um projeto) de reeditar as figuras da Casablanca, das quais até hoje possui os moldes, todos nós teríamos hoje, novamente, acesso a tão maravilhosas figuras.

Em 2005, com a autorização da Sergio Bonelli Editore, a Hachette Collections da França, especializada em fascículos periódicos com objetos de coleção, através de seu braço italiano Hachette Fascicoli, lançou na Itália uma cobiçada, aguardada e belíssima coleção de 40 fascículos acompanhados cada um de uma estatueta em resina, pintada a mão, com cerca de 17 cm de altura, de cada personagem aparecido no universo das estórias do herói, conforme publicadas. O fascículo, além de acompanhar a estatueta, trazia a descrição e desenhos do personagem, bem como algumas capas famosas publicadas. Esta coleção chama-se “Il Mondo di TEX“, e pode ter suas estatuetas encontradas com certa facilidade até, inclusive aqui no Brasil, por preços, claro, condizentes com o nível das figuras. É uma coleção invejável, embora eu particularmente a preferisse numa escala menor. Mas são muito atraentes.

Existe no Brasil um fã clube que realiza eventos e encontros periódicos, a nível nacional, inclusive com a presença de “cosplayers”. Esse clube já lançou dois interessantes álbuns de figurinhas, exclusivos para seus associados. O endereço é:

https://clubetexbrasil.blogspot.com/

4. Imortal?

Eu achava que a produção de Forte Apache no Brasil já havia sido definitivamente encerrada, por conta da grave crise financeira da Gulliver. Mas eis que o colecionador Carlos Mariano me enviou imagens da vitrine de uma loja na Rua João Cachoeira, em São Paulo, com fortes que acabaram de chegar. Infelizmente, o mesmo velho e cansado modelo que é produzido há décadas sem nenhuma modificação. Mas fica a informação – o Forte Apache ainda não morreu.

Até a próxima!

Marcos Guazzelli

Março de 2018





Comentários

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De: Tadeu Buono
Marcos , obrigado pelo retorno ! Vc como sempre muito educado e prestativo ! Fiquei interessado nesses produtos , mas não consegui visualiza-los no mercado livre conforme o endereçamento ! É uma pena , mas de qualquer maneira , obrigado de coração pela sua ajuda e retorno ! De qualquer maneira , continuarei seu fã e de seu site também ! Um forte abraço !!


De: Marcos Guazzelli
Tadeu, não sei quem está publicando os anúncios, fazendo referência a anúncios do Mercado Livre. Mas eu também tentei seguir os links, e não consegui chegar aos produtos anunciados. Não vou mais liberar a publicação desses anúncios.


De: Sylvio Maia
Perfeito. Muito bom texto. Parabéns!


De: Tadeu Buono
Marcos Guazzelli , por favor , me tire uma dúvida , estou tentando verificar no mercado livre os endereços que estão nos classificados , mas não consigo visualizar os mesmos produtos . Não sei se estou cometendo algum erro , ou se tem algum erro nos endereços . Haveria possibilidade de ser cedido os dados via whatzzapp dos vendedores , ou mesmo de e-mails , para facilitar as negociações ? Agradeço a atenção , e obrigado mais uma vez pela ajuda !! Forte abraço !!


De: Vincenzo A. Mastrocola
Ótimas matérias, fantástico esse Forte, muito bonito mesmo. Parabéns!!!


De: TADEU TUFIE MAHFUD
Excelentes matérias. Obrigado por compartilharem. Atualmente a Hacienda Vega - igual da foto, feita pelo Gilberto Resende. Está em meu poder, na minha coleção. Não pretendo me desfazer! Att. Tadeu


De: Stephan
Um triste reflexo da época atual:a falência da Toys ‘R’ Us uma semana antes da morte do seu fundador... https://www.nytimes.com/2018/03/22/obituaries/charles-p-lazarus-toys-r-us-founder-dies-at-94.html?rref=collection%2Fsectioncollection%2Fobituaries&action=click&contentCollection=obituaries®ion=rank&module=package&version=highlights&contentPlacement=1&pgtype=sectionfrontrref=collection%2Fsectioncollection%2Fobituaries&action=click&contentCollection=obituaries®ion=rank&module=package&version=highlights&contentPlacement=1&pgtype=sectionfront


De: Marcos Faria / Angra / RJ
pARABENS A TODOS PELA INICIATIVA E COLABORAÇÃO E CRIATIVIDADE. PRECISAMOS DESSES FATORES PARA MANTER VIVO NOSSO HOBBY E A ESSENCIA PARA QUAL OS BRINQUEDOS EXISTEM: UNIR A PARTE LUDICA COM A DIVERSÃO E LAZER E CRIAR NOVAS AMIZADES. TAMBE´M PRESERVAR ESTE BRINQUEDO INIGUALEVEL E A HISTORIA DE GERAÇÕES O QUE OS FABRICANTES NUNCA FIZERAM. OBRIGADO PARABÉNS A TODOS.


De: Tadeu Buono
Marcos Guazzzelli , obrigado pelos dados de minha solicitação !! Forte abraço !!


De: Luiz Paulo Pizzutti
Bem lembrado Stephan, outro raríssimo personagem do gênero western nos gibis, que mal e mal resistiu até os dias de hoje.


De: Stephan
E por falar em Faroeste, mês passado faleceu um dos mais prolíficos roteiristas dos gibis de Jonah Hex: Michael Fleisher! https://icv2.com/articles/news/view/39892/rip-comics-writer-michael-fleisher Bons tempos, de fato...


De: Roberto Vasco
O verdadeiro mestre é aquele que compartilha seu conhecimento, não o guardando, parabéns a todos, ótima matéria, o Sylvio me falou uma vez que usava também canudos de refrigerante, uso essa tecnica até hoje, como também palitos de fósforo.


De: José A. Leme
Maravilhoso o trabalho do Fort Apache. Quanto a Tex sou fã ardoroso e colecionador desde seu lançamento possuindo todas as mensais do 01 ao 580 bem como mais de uma centena de edições especiais, pra quem gosta de Western, ler Tex é como assistir a um bom filme do gênero só que em quadrinhos. Com relação aos fortes compartilho com as esperanças dos demais colegas para que um dia volte a ser disponibilizados para venda. Parabéns pela matéria.


De: RAUL AGUIAR
Valeu Guazzelli!Mais matérias fantásticas!Show de trabalho do amigo Gilberto Resende!!!


De: Marcos Guazzelli
Contato do Gilberto Resende: gilbertofresende@terra.com.br, 13 99199 1157.


De: Tadeu Buono
Marcos Guazzelli , parabéns por mais uma matéria maravilhosa , que nos faz brilhar os olhos . Achei fantástico o forte apache artesanal . Queria , se fosse possível , o endereço de e-mail do fabricante , para saber mais detalhes , se faz sobre encomenda e de qualquer maneira , e principalmente o valor a ser cobrado ! Continuemos a rezar para que alguém iluminado compre , ou consiga os moldes antigos da Gulliver e da Casablanca para por em prática os brinquedos antigos , para satisfazer o público moderno , e nós , os antigos colecionadores ! Tenho esperança e fé que um dia ainda isso aconteça ! Forte abraço !!


De: Alberto Cruz
Marcos, matéria maravilhosa. Os trabalhos do Gilberto Rezende fantástico, não sabia deste dom. As técnicas do Silvinho referente a recuperação de tendas indígenas, eu usava palito plástico de pirulito, Mas os canarinhos de perfumes ou carga de canetas provavelmente sejam mais compatíveis com o diâmetro das hastes. Sobre revistas e peças que lembram o Tex são muito interessantes também. Parabéns Marcos e a todos os colecionadores.


De: Luiz Paulo Pizzutti
Maravilhosos trabalhos do Gilberto Resende e compartilhamento de técnicas. Muito show. E sobre a Gulliver, realmente é fato, semana passada voltaram a algumas lojas o Forte Apache, embora na já conhecida forma e também os saquinhos com soldadinhos, fazendinha, zooloógico, soldados da cavalaria e índios. Só não vi o de cowboys e mineiros. Começam a voltar a aparecer também, conjuntos da linha SOS Commandos e o Futebol da Gulliver ( ano de copa né...) com embalagens repaginadas. Além da BMart estão na MP Brinquedos também ( c/loja virtual) e em lojas do interior de SP. Realmente ainda respira e onde há vida há esperança (será ?). Chegamos ao ponto de comemorar este retorno, dada a secura de novidades do gênero no país. Fui a Abrin ontem e melhor não tivesse ido para não ficar triste e deprimido. De bom só havia a promessa de 2 novos Falcons para 2018 ( expostos) e para quem gosta, Playmobil. Abraço a todos.