TEXTO CURTO – A VIRADA DE 1980



Em diversos dos textos que já escrevi, faço referência à virada feita pela Gulliver em 1980. Foi neste ano que a empresa substituiu as belas figuras decoradas, produzidas desde a época da Casablanca, por figuras sem graça e sem pintura, cópias da Atlantic. E olha que a Atlantic produziu muita figura bacana, mas parece que a Gulliver decidiu deixar as melhores de fora. Foi neste ano que foram exterminados os conjuntos do Tarzan, o Acampamento Apache, o Chaparral e a Caravana.

Talvez não houvesse outra alternativa. Talvez as vendas fossem decrescentes. O próprio gênero do faroeste passava por um processo de morte e esquecimento (que até hoje eu não compreendo, muita gente foi dormir gostando de faroeste e acordou sem gostar). Enfim, não conheço as razões, mas foi em 1980 que a Gulliver tomou a decisão de matar o seu carro chefe – o Forte Apache. Talvez nem a própria empresa imaginasse que a resistência do produto seria tão grande, e que o referido processo de morte se arrastaria por cerca de 35 anos.

Recentemente encontrei no blog da Ana Caldatto algumas imagens do catálogo de 1980 da Gulliver, as quais reforçaram esta minha percepção de que a empresa decidiu ali matar o produto.

A capa do catálogo, imagem abaixo, trazia os novos conjuntos/figuras que estavam sendo lançados. O que chama a atenção é que não havia nada como “sensacional”, “fantástico”, “imperdível”, adjetivos geralmente associados a lançamentos. Pelo contrário, a referência é ao fato de serem itens de preços baixos. Ou seja, parece que nem a própria Gulliver acreditava no seu lançamento, encontrando nele o único apelo de custar pouco.

Mais chocante ainda – o Forte Apache era o carro chefe da empresa desde a sua criação em 1969. Em 1980 estavam sendo lançados os novos modelos. Pois bem, não só o novo lançamento de Forte Apache não foi escolhido para ilustrar a capa do catálogo, como a ele foi relegado um rodapé de página (imagem abaixo), sem nenhum adjetivo. O verdadeiro destaque da página são os lançamentos Disney.

Não sei se a Gulliver estava certa ou errada, ou se era possível ter agido de outra forma. O fato é que mesmo sendo abandonado pela empresa, o produto ainda resistiu por longos 35 anos, teimando em não morrer, até que acabou sepultado pela própria crise da empresa.

Até a próxima!

Marcos Guazzelli

Janeiro de 2018





Comentários

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De:
Que 2018, os executivos da Estrela, iluminem os executivos da Gulliver e os façam entender, que o caminho, é o relançamento dos sucessos da casa... Que nossos sonhos se realizem!! Abraços.


De: João Henrique Garcia
Em 1980 eu já era adolescente e não me interessava mais por brinquedos. Mas tenho um irmão mais novo e me lembro que nessa época ele só queria brincar de Playmobil (fabricado na época pela Troll). Era muito mais divertido com aquelas figuras articuladas e todos os acessórios e casas (cadeia, saloon, etc...). Talvez tenha sido isso que matou o forte apache da Gulliver. Se não me engano o Playmobil aportou por aqui em 1975/76 e foi u tremendo sucesso na época. Em parte minha coleção de figuras da Gulliver sobreviveu graças a esse sucesso, ficaram esquecidas no fundo do armário já que meu irmão não queria brincar com elas e eu as resgatei há cerca de quinze anos . Quanto aos Playmobil, não sobrou nada...


De: Alberto Cruz
Olá meus amigos e colecionadores um feliz 2018. A situação da Gulliver é realmente triste em se tratando de uma empresa brasileira e da grandeza que ela já foi. Mas acredito que os donos foram adquirindo outros bens providos da própria Gulliver e com isso a galinha dos ovos de Ouro acabaram perdendo o interesse pela empresa. Preferiram subtrair do que investir e com isso chegaram ao fundo do poço. Agora com essa crise tornou se mais difícil de se levantar. Abraço a todos.


De: Tadeu Buono
Mal sabe a Gulliver do público que ela teria , que compraria todos os seus produtos relançados ! Tristeza nossa , perda da Gulliver !!


De: Marco Túlio
O que causa maior tristeza e´saber que a Gulliver , no seu segmento , poderia ter sido uma das maiores fábricas de brinquedos do mundo e que hoje está em uma situação drástica , correndo o risco de fechar definitivamente.


De: RAUL AGUIAR
Sim amigo,muito triste!!!A Estrela se erguendo com o relançamento do Falcon e a Gulliver,infelizmente,em crise e sem criatividade nenhuma!


De: RAUL AGUIAR
Sim amigo,muito triste!!!A Estrela se erguendo com o relançamento do Falcon e a Gulliver,infelizmente,em crise e sem criatividade nenhuma!


De: Stephan
Havia ainda as figuras pintadas avulsas(série Miniaturas Maravilhosas) sem contar o Forte Arizona, que tinha algumas figuras da fase antiga da empresa. Também tínhamos disponíveis os Super-Heróis de vinil nas cartelas, inclusive o Fantasma e o Tarzan. Em face do que existiu antes, talvez fosse pouco, mas em face da pobreza cultural que caracterizou o final dos anos 80 em diante, era algo que deixou boas lembranças. Abraços e Feliz Ano Novo a todos