VISITA A COLECIONADOR, SETEMBRO DE 2017



Essas visitas que realizo aos colecionadores, que andavam bastante tímidos, me dão grande alegria. São momentos bastante agradáveis, onde compartilhamos histórias de vida, informações sobre brinquedos, além, é claro, da oportunidade de ver brinquedos maravilhosos. É impressionante o afinco com que os colecionadores se dedicam às suas coleções, e o esforço para manterem viva a chama daquela que foi a melhor época de nossas vidas.

Agora no mês de setembro tive o prazer de reencontrar um amigo que não via há 14 anos. É impressionante a velocidade com que o tempo passa. Sempre tenho a impressão de que as coisas aconteceram há pouco tempo, mas a verdade é que 14 anos passam num piscar de olhos. Foi em 2003 que tive a oportunidade de visitar a coleção do Alan, em São Paulo. Então 14 anos se passaram, durante os quais, creio, falamos apenas uma vez, por telefone. Recentemente o colecionador Alberto Cruz nos colocou em contato novamente, e agendei uma visita.

O Alan não reside mais no local onde fica a coleção. Mas ele teve a paciência de ir até lá para organizar os brinquedos para a visita. E depois a paciência de me receber numa tarde de sábado, meio de feriadão. A coleção e a quantidade de informações que o Alan tem são imensas. Não deu tempo para ver tudo durante a visita. Havia muitos brinquedos que estavam fechados em caixas, que acabaram ficando para uma futura oportunidade.

Então, convido-os para viajarmos juntos pela maravilhosa coleção do Alan.

Nossa viagem começa com uma espetacular Fazenda Ponderosa da Casablanca. Esta fazenda originalmente pertencia a um tio do Alan, mas está com ele (presente do tio) desde 1979.

Importante observar que a Ponderosa do Alan possui o raríssimo catavento original de metal da Casablanca:

Um variado sortimento de animais e ferramentas:

Saindo da Ponderosa, passamos por um Grande Forte Apache Gulliver 1973/1974. A casa que está no forte não é original. A original (imagem) aguarda restauração (o travessão de amarrar cavalos da casa da imagem não é original).

Aqui comparamos duas versões de Custer da Viocena. O primeiro, de roupa azul, mais antigo, possui um sabre normal. O segundo, de roupa vermelha, mais moderno, já possui o sabre parecendo mais uma faca. O Custer que tive na infância foi este de roupa vermelha, com o sabe que parecia uma faca. Lembro que comprei nas Lojas Americanas na virada dos anos 70 para os 80. O modelo mais antigo só conheci depois de adulto.

Na sequência uma cidade da fabricação Húngara. As imagens, infelizmente, ficaram tremidas.

No meio da cidade os Kung Fus se enfrentam:

O Alan relembra com saudades como foi boa a sua infância. Muito faroeste, muita brincadeira, muita aventura. Conta que uma tia sua tinha comércio em Santos, e dela ganhava muitos brinquedos.

Na imagem abaixo um horda de índios ataca um Super Forte Rin Tin Tin. Observem que espetáculo de figuras.

Aqui o forte que sofre violento ataque:

Nesta imagem, uma mistura de Safári da África com Fantasma:

Ao lado, um África Misteriosa:

Aqui figuras de cowboys que, segundo o Alan, eram produzidas pela Estrela, monocromáticas. A pintura foi feita pelo Alan.

O Alan é artista. Ele restaura e pinta figuras. Muitas das figuras de sua coleção foram repintadas, e, segundo ele, já passou por diversas fases de preferência de estilos de pintura. Abaixo uma imagem da sua oficina.

Abaixo, imagens de alguns dos seus trabalhos, incluindo um Capitão Monastário, que é seu de infância, ao qual tentou dar um aspecto mais próximo do real.

Seguimos a visita:

Chegamos ao espetacular conjunto Os Apaches, da Gulliver:

Neste conjunto, figuras extremamente raras com as chamadas bases “estrelinhas”.

Mais itens:

Aqui um acampamento composto basicamente por figuras da Linde, e tendas da Britains e Argentinas. As figuras são pintadas pelo Alan.

Algumas imagens de caixas:

Diligência Britains:

Italianos:

Independência ou Morte:

Espanhol:

Numa TV passava Rin Tin Tin:

O Alan possui uma infinidade de filmes clássicos, através dos quais mata as saudades da Sessão da Tarde dos bons tempos.

Alguns conjuntos Atlantic (O Alan possui vários, completos, na caixa).

Com seu hobby de trabalhos Artesanais, o Alan pintou uma infinidade de kits, que aguardam espaço para serem expostos. Este trabalho equivale a uma aula de história.

Diversos:

Figuras Educa:

Carroça e diligência da Prolar. Os cavalos da diligência não são originais.

Set Combate – eu sou apaixonado pela série Combate, da Gulliver, a série de guerra dos anos 70. O Alan possui uma preciosidade, um set de Alemães da série Combate na caixa original. Seguem imagens:

E chega o momento em que eu e o colecionador, ambos sem jeito para modelos, fazemos aquela selfie para deixar registrada a visita. Quero aproveitar para agradecer de público ao Alan por me receber, e já avisar que um dia eu volto lá para a gente ver o que faltou. E que mais colecionadores saiam da timidez e aceitem receber a visita.

Outros assuntos

O visitado fui eu

Em agosto eu recebi a visita do colecionador Jailson Westrupp, de Florianópolis. Na oportunidade conversamos sobre brinquedos, o Jailson me deu uma aula sobre sua técnica de reprodução de figuras, e mostrou o protótipo da réplica de carroça que está desenvolvendo. O Jailson é colecionador de filmes, e me presenteou com o último filme da carreira do Audie Murphy. Seguem imagens:

Eu quero esta TV

O Marcelo Roika, de Curitiba, possui uma TV onde não passa Faustão nem Eliana. Só passa coisa boa:

Viagem no tempo

O Vanderlei Gomes me enviou esta fantástico vídeo, de uma feira de brinquedos inglesa de 1958. Nesse vídeo podemos ver como a indústria de brinquedos regrediu de lá para cá. Assim como a sociedade...

https://www.youtube.com/watch?v=Q6vuEmGySmc

Bem amigos, era o que eu tinha para o momento.

Até a próxima!

Marcos Guazzelli

Setembro de 2017





Comentários

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De: Jean Carlos
Prezado Luiz Paulo Pizzutti, seu comentário reflete o pensamento da imensa maioria dos colecionadores de brinquedos antigos... Infelizmente, somos um nicho estupidamente pouco valorizado no Brasil (a Estrela é a exceção), e para termos os itens que apreciamos temos que gastar bem mais que nossos colegas americanos e europeus. Sobre a Gulliver, fiquei intrigado com sua declaração. Apesar dessa teimosia cretina em atender o nosso querido Guazzelli, que tantas pessoas trouxe de volta ao colecionismo de figuras de Faroeste, inclusive e principalmente da Gulliver (eu sou uma dessas pessoas), eu sei que ano passado e retrasado alguns pouquíssimos colecionadores tiveram contato com a direção da empresa, e comentaram sobre a possibilidade concreta de relançamento de brinquedos históricos (um desses colecionadores é o Eder Pegoraro; ver: http://saladejusticabr3.blogspot.com.br/2016/01/far-west-story-gulliver-as-artes.html). Agora, você traz de volta esse assunto; pelo visto, a intenção era realmente séria, embora infelizmente tardia, pois esperaram a empresa se arruinar para fazerem alguma movimentação nesse sentido, e agora falta o mínimo de capital necessário para se fazer qualquer coisa. Uma pergunta, apenas: você falou sobre "a dolorosa esperiência de vida do patriarca da família Lavin". Tirando o "aperto" financeiro devido aos motivos que sabemos, e a idade avançada, haveria algum fator extra que impediria um (improvável, infelizmente) ressurgimento da Gulliver? Você tem alguma informação? Cordial abraço.


De: Luiz Paulo Pizzutti
Todos os artigos publicados pelo Guazzelli nesta página, são deliciosos e nos fazem viajar. Nesta publicação de set/17, em especial, ele proferiu uma frase que vai direto ao ponto: "É impressionante o afinco com que os colecionadores se dedicam às suas coleções, e o esforço para manterem viva a chama daquela que foi a melhor época de nossas vidas." Expressa absolutamente tudo. Nós colecionadores e amantes do hobby, na verdade hoje, somos caçadores de relíquias. Não fossem algumas fábricas estrangeiras, ainda vivas e cada vez em menor número, não existiriam figuras novas, e que nos custam os olhos da cara. No Brasil, em que nos anos 60 a 80 ainda tivemos um pouquinho de tudo, copiados das melhores coleções do mundo, hoje é difícil ter alguma esperança de voltar a ter qualquer fabricante que seja. E vamos nós garimpar mercados livres e ebays da vida em busca de peças realmente da época áurea dos soldadinhos de plástico. Há exato 1 ano, tive em mãos material e fotos relativos ao relançamento pretendido pela Gulliver, das melhores coisas da Casablanca e dela propria. Mas, a crise terrível, a falta de dinheiro e a dolorosa esperiência de vida do patriarca da família Lavin, infelizmente desencorajaram esses planos, e agora, temos notícias do deferimento do pedido de recuperação judicial obtido por ela. Como disse um amigo, agora ou vai ou racha ! Mas, e coragem para arriscar. Alguém acha que o velho patriarca está errado ? Alguém faria diferente depois de tantas bordoadas ? Interessante que isso tudo ocorre no momento em que a Estrela, comemorando seus 80 anos, relança vários clássicos como o Falcon, e parece que está obtendo exito e retorno. Mas, não creio que a Gulliver parta para esse tipo de procedimento corajoso, sinceramente. Uma pena, mas só nos resta continuar caçando relíquias e gastando muito. Quem sabe vou morder minha língua. Abraço ao Guazzelli e aos colegas. Um encontro, seria sensacional !


De: Jean Carlos
Sobre a situação da Gulliver, ela é tristíssima. Tenho 41 anos, consumo seus brinquedos desde muito pequeno, e algumas das minhas melhores lembranças de infância foram embaladas por suas figuras, que eu chamava carinhosamente de "hominhos". Por outro lado, é também como ver um nadador olímpico se afogando. Tanto potencial mal utilizado... Se voltasse a focar nas figuras, nas vendas pela internet, na criação de um selo para colecionadores, com atendimento prestativo e solícito, DUVIDO que abrisse falência. Forte Apache (Atlantic e Clássico), Soldados, Figuras Espaciais, Zoológico, Fazendinha, SOS Commandos, Big Frota, Gulliverlândia, Xadrez do Rei Arthur, Damas, Jogos de Botão de Seleções (só com as bandeiras estampadas), enfim, são tantos os brinquedos sem necessidade de licenciamento que poderiam ser relançados, que me impressiona ver a empresa afundar de forma tão inerte. Por exemplo, que tal um relançamento em edição limitada, com toda a pompa e circunstância, das figuras de 1973-78 do Fantasma, Tarzan, Zorro e Coyote - cito esses quatro pois seus licenciamentos devem ser baratos, em comparação com a Marvel e a DC - com vendas exclusivas pelo site? E que tal uma pequena convenção a ser realizada na capital de SP, com a venda de todos esses brinquedos citados, com a presença do Nelson Reis autografando os blisters? E isso são apenas algumas idéias que tive de improviso. Que falta de imaginação, hein, Família Lavin?


De: Tadeu Buono
Antes de mais nada , quero mais uma vez parabenizar o Marcos Guazzelli pela reportagem , e pela visita , que nos proporcionou uma viagem ao tempo , relembrando coisas maravilhosas feitas pela Gulliver ! Parabéns ao Alan pela coleção ! Quem sabe um dia a Gulliver , vendo tantos colecionadores , reabra seu báu , e refaça os modelos antigos de novo ! Sonhar pode , quem sabe se torne realidade ! Um abração , e mais uma vez , parabéns !!


De: Stephan
Triste a situação da Gulliver, que é também reflexo da drástica crise provocada pelas "autoridades democráticas" que assumiram o poder desde o fim do regime militar. Ocorre que, se formos analisar o cenário como um todo - e aí incluem-se os brinquedos - há que se salientar que tal decadência é proposital: quanto mais baixo o nível cultural de um povo, mais fácil é a sua manipulação e controle. A Gulliver marcou forte presença na infância de milhares de brasileiros, e, apesar dos recentes erros internos cometidos, nunca será esquecida por aqueles que vivenciaram os anos 60, 70 e 80.


De: Marcos Guazzelli
Prezado Sergio, já tive armas de espoleta danificadas, e as levei para restaurar num desses hospitais de brinquedos, que consertam brinquedo. Abraços.


De: Sergio
Primeiro quero agradecer pela existência desse site! Matérias muito boas, sempre que leio e vejo as fotos é uma volta à minha infância muito boa. Quantas aventuras eu vivi com o meu forte apache ( tempinho bom aquele... ), mas também escrevo para pedir / sugerir uma matéria explicando sobre como fazer restauração dos revólveres de espoleta, tenho dois bem estragadinhos ( um Kid e um Silver, da Estrela ) e queria saber como eles podem ser reparados ( o metal deles é estranho, não sei se aguenta solda ou tem que ser no durepox ) e como pintar, que tipo de tinta usa, como recuperar o cabo de plástico rachado... várias coisas. Tenho visto algumas matérias desse site mostrando a restauração dos soldadinhos de plástico, que foram muito instrutivas, e espero que possam fazer uma matéria assim. Desde já muito obrigado e vida longa para este site!


De: mazzei
Sobre a Gulliver, era esperado. Há tempos não vejo seus produtos nas prateleiras das lojas de brinquedos e de departamentos. Nem mesmo as caixas atuais de fortes ou simplesmente os blisters. Má gestão, sem foco nos consumidores. Quantas foram as queixas aqui registradas de falta de retorno de contato? Isso ao longo de quantos anos? Demorou até...


De: marcos.stivale@gmail.com
Infelizmente, a realidade da Gulliver: https://www.dgabc.com.br/Mobile/Noticia/.../gulliver-entra-com-recuperacao-judicial


De: Jean Carlos
Mais uma brilhante matéria desta belíssima página. Não tenho palavras para agradecer ao Marcos Guazzelli e aos colecionadores por mostrarem suas lindas coleções para nós. Sensacional!


De: Sylvio Maia
O Marcos não se cansa de tirar coelhos da cartola. Parabéns ao Alan pela emocionante coleção! Lindas figuras. Valeu Alberto pela ponte com o colecionador!


De: Alberto Cruz
Guazzelli ficou excelente este artigo. Estive na casa do Alan depois de você porém o que vi no artigo aparecem muito mais do que vi pessoalmente. Realmente é uma coleção espetacular e fico feliz de poder ter contribuído para que o Alan pudesse abrir a porta da casa dele e nos presentear com essa coleção fabulosa. Um grande abraço.


De:
Excelente! Parabéns Marcos!


De: Marcos Faria / Angra / RJ
Repetimos aqui e ainda sim não tem como agradecer mais ao Marcos a iniciativa, dedicação e grande exemplo para todos, mas com certeza seu maior presente seria ver e saber que nós nos visitássemos também e realizássemos seu ideal e acredito de nós e função maior dos brinquedos que é a interação e amizade a compartilhar. Quem me conhece sabe que é só entrar em contato para uma visita. Alan Parabéns e a todos também. Vamos nessa?mvfariaangra@gmail.com & mvfaria@eletronuclear.gov.br


De: RAUL AGUIAR
Mais uma fantástica coleção!Valeu Guazzelli!!!Estas figuras com base "estrelinha" vinham naqueles sets que falei que a parte de trás das caixas tinham coisas pra recortar e formar cenários.Sempre achei de fato que o cata vento da Ponderosa era o de madeira.O de plástico veio depois.


De: Stephan
Mais uma excelente matéria sobre uma temática interessante! Parabéns a todos os envolvidos!


De: Jose A. Leme
Belíssima coleção, reconheci algumas figuras que tive na infância, que saudade. Abraços.


De: Roberto Vasco
Mais uma agradável surpresa, obrigado Marcos Guazzeli por mais uma alegria em nossas vidas, ao menos na minha, fico extasiado quando vejo essas coleções, quanta saudade, quanto carinho pelos brinquedos, o colega Alan possui um acervo admirável, meus parabéns, quem sabe valorizar o passado, com certeza solidifica o futuro!!!!