DELICIOSAS REMINISCÊNCIAS DE NATAL



NATAL !  Ah NATAL !

Tem coisa mais gostosa e mais com cheirinho e lembrança  daqueles nossos tempinhos de criança do que o Natal ? 

Esta época e seu clima, me remetem aqueles anos inesquecíveis e passados quando, a estas alturas do mês de dezembro, se tudo tivesse corrido bem ( e nem sempre corria), já estávamos de férias escolares, tendo passado de ano, em geral acompanhando nossas mães ou avós prá cima e pra baixo, naquela correria frenética de preparativos de ceia, de combinação do “na casa de quem vai ser a reunião”, de últimos presentes e lembrancinhas que faltassem e principalmente da montagem da “árvore de Natal” e do “presépio” de cuja participação nós nem cogitávamos de abrir mão, símbolos mágicos de tudo que representava o momento mais esperado e gostoso do ano, e sobretudo, junto aos quais iríamos encontrar na passagem de 24 para 25 aquele certo presente maravilhoso, com o qual havíamos sonhado o ano todo, cansado de vê-lo e namorá-lo nas vitrines das lojas ou nos comerciais da TV, e pelo qual havíamos ralado o ano todo para merecer, e nossos pais com certeza haviam dado um duro danado para de um jeito ou de outro proporcioná-lo, ainda que parcialmente.

Nesta época, ainda hoje me delicio com as lembranças das noites no apinhado centro da Cidade de São Paulo, com as lojas abertas até a meia noite, as ruas extremamente e festivamente decoradas e iluminadas com luzes, ouvindo-se das lojas de discos, as tradicionais canções de Natal e em especial a gigantesca loja Mappin, com seus vários andares todos iluminados, vitrines maravilhosamente decoradas, em especial a dos brinquedos, junto a qual podíamos passar horas, loja esta que no seu andar de brinquedos que devia ser o 3º. ou 4º. se não me engano, anualmente naqueles áureos tempos, montava junto com a Casablanca, cenários enormes do Forte Apache, do Acampamento Apache e da Caravana. As crianças faziam fila para apreciá-los em todos os seus detalhes, e eu, enquanto meus pais iam vendo outras coisas, não cansava de dar umas dezenas de voltas em torno deles, imaginando quais seriam as próximas figuras que eu ia pedir, nem sempre podendo sonhar com o conjunto todo, que por vezes estava além das possibilidades deles.

Dali, seguíamos para outra gigante do centro, a Mesbla, igualmente atraente com seus brinquedos. Mas em especial, lembro com saudade das Lojas Americanas ( das quais as atuais não são nem uma pálida lembrança) na Rua Direita, onde eu efetivamente matava a vontade, pois lá se podia encontrar gôndolas de vidro, repletas com todo o tipo de soldadinhos, cavalos, acessórios do Forte Apache, do Acampamento, da Caravana, do Chaparral, do Lawrence da Arábia, da Guerra do Paraguai, da Balila, e tantos outros, vendidos à granel ! (vocês podem imaginar uma coisa destas ?) Era pegar as bandejinhas de plástico e ir escolhendo e enchendo de figuras. Não tinha como sair de lá, sem algunzinhos pelo menos, e depois comer aquele delicioso e incomparável cachorro quente com molho de pimentão, cujo aroma era marca registrada das Americanas.

Outras lembranças queridas para mim, são a da rede de lojas especializada em brinquedos e artigos de jogos “Ás de Ouro”, cujas lojas da São Bento e da XV de Novembro eram uma tentação, e vendiam também, em profusão, conjuntos embalados em plástico, do Forte Apache, e onde eu ganhei minha primeira cavalaria, composta por um oficial e 10 cavaleiros. E na Galeria Nova Barão, que existe até hoje na Rua Barão de Itapetininga, havia também uma loja de brinquedos importados, caríssimos, que eu nunca pude ganhar, mas na qual nunca cansei de apreciar na vitrine o navio e as figuras dos Vikings da Preiser Elastolin, que a Casablanca depois chegou a lançar no Brasil, e o Castelo Medieval da Britains, com os cavaleiros negros enfrentando os prateados.

Já deu para notar, que em minhas memórias prazeirosas estão sempre intimamente ligados, a infância, o Natal e o clima festivo de fim de ano que se instaurava na cidade, os bons tempos do centro velho de São Paulo e os brinquedos, especialmente a linha Forte Apache e os toy soldiers, paixões que trago e mantenho até hoje, graças a Deus. Junto com isso tudo, recordo também outras coisas boas como os gibis, os livros de aventuras, os times de botão, os filmes de televisão e os amigos, o futebol e as brincadeiras que só eram possíveis mesmo, nas férias. Enfim, tudo isso compõe o meu “tempinho de criança”que jamais esquecerei, embora nem sempre tudo tenha sido só maravilhas e alegrias.

Ainda hoje, nos momentos difíceis e chatos, trato de rememorar essas lembranças, para com isso, fazer uma pausa na turbulência e recuperar minhas forças, minhas energias e principalmente minhas esperanças, tentando fazer com que eu possa proporcionar às crianças de hoje, pelo menos um pouquinho de tudo de bom que foi a minha infância.

Acredito que muitos que lerem estas minhas reminiscências irão entender, concordar e recordar também, sabendo a que estou me referindo. E com certeza, não há momento melhor para praticar este exercício, do que agora, neste Tempo de Natal !

Um FELIZ NATAL mesmo!

Luiz Paulo Pizzutti

Natal de 2014





Comentários

Enviar comentario

De: Tadeu T. Mahfud
Impecável. Eu também tenho memórias de minha infância que guardo até hoje. Na minha cidade aqui em SC, havia uma loja chamada Casa Schmitt, era um paraíso de brinquedos de forte apache. Meu irmão mais velho tem 20 anos mais do que eu e é ele que me levava e coprava items Gulliver para mim nos anos 70. Eu possuia muitos soldados e fortes. Tive a Gunsmoke que como comentei se perdeu em algum lugar do passado e me lembro de outra loja de departamentos que uma vez no natal estava exposto o set do Zorro. Eu me lembro muito bem do cheiro do plástico dos "hominhos" Gulliver. Nunca irei esquecer estes momentos.


De: Marcus Vinicius
Emoção pura. O mesmo sentimento. Com os olhos marejados, agradeço, ainda que tardiamente, as suas palavras.


De: RAUL AGUIAR
BELO TEXTO!SE FALAR NO HAMBÚRGUER FAMOSO DAS LOJAS AMERICANAS QUE SE CHAMAVA "VITÓRIA",INESQUECÍVEL!!!!


De: Adriano
Olá pessoal! Adorei o texto de todos, me emocionei com as imagens e ao me recordar da minha infância, que tempo maravilhoso. O que mais sinto é não ter nenhum brinquedo de recordação. Se pudesse traria todos de volta. Mas que bom descobrir este site, e reviver momentos mágicos. Obrigado a todos.


De: David Orling
Caro amigo! Preciso falar contigo! Já está no ar o programa sobre COlecionismo e gostaria muito da tua ajuda. Meu email é davidorling@hotmail.com


De: Roberto Vasco
Este tempo nunca mais voltará.Ficaram as lembranças de uma época de ouro,você se esqueceu de mencionar o antigo Jumbo-Eletro, onde eram vendidos todos os conjuntos da gulliver; quem se recorda do jumbo do aeroporto com a lanchonete Weels e a loja do térreo que vendia as antigas motocicletas,Honda ,Yamaha, Suzuki e outras.Era um tempo mágico, um descompromisso com a responsabilidade, somente a escola preocupava e, quando tudo dava certo era uma maravilha.Pertenço a uma geração que brincava de revolver na mão e ninguém virou bandido, onde se assistia a filmes de Cowboys e índios com muitos tiros e não se pregava violência, ao contrário, era a era de aquarius, muita paz e amor e o sentimento de família, que esta desaparecendo de nossa sociedade, evoluir é bom , mas preservar as boas lembranças e costumes do passado, serve como alicerce de um futuro sólido.


De: Jean Carlos
Que artigo maravilhoso, esse do Luiz Paulo. Infelizmente não sou da mesma geração (só imagino a maravilha que devia ser escolher bonequinhos a granel em uma filial das Lojas Americanas!), mas também tenho boas lembranças de minha infância, vivida nos anos 80 - quando o mundo fazia algum sentido. E desejo ao Marcos Guazzelli, responsável por este site maravilhoso, e a todos os seus leitores, um 2015 plenamente feliz. Um grande abraço a todos!


De: Tadeu Buono
Meus queridos , cometi uma injustiça , não mencionei os " Brinquedos Raros " , do meu amigo Sidnei , aonde podemos adquirir brinquedos de forte apache também . Retifica minha injustiça , feliz ano novo a todos !


De: Tadeu Buono
Caro amigo Luiz Paulo ! Maravilhosas recordações . Tenho em minhas memórias os presentes , não só natalinos , mas de aniversário , dia da criança , páscoa , e inclusive o próprio natal , que era tão esperado . Meu Querido , não só vc , mas como todos nós somos saudosistas , e infelizmente não temos mais aonde recorrer para ter ou comprar estas maravilhas , a não ser no mercado livre ou na Brinqtoys , dos meus amigos Reginaldo e Wagner . Inclusive , em umas de várias conversas que tive com eles , me falaram que a " BUM " ainda tem os moldes antigos e fiéis dos bonecos que deram forma para a Gulliver e a Casablanca . Quem sabe algum iluminado os adquira e faça-nos felizes novamente , não só nós , como muita gente também . Faz um tempo que não visito meu amigo Reginaldo , e neste ano que vai entrar , irei estar com ele , com certeza , inclusive que ele tem coisas novas que me interessam , e como sempre digo brincando , " preciso ir até aí fazer um supermercado " . Para todos , um feliz ano novo , e espero repleto de novas coisas e alegrias .


De: Newton Celli
Lendo as declarações dos meus companheiros colecionadores, não posso deixar de mencionar Curitiba nos anos 60, o ritual de natal era irmos a loja Continental situado na rua Barão do Rio Branco, loja fantástica que vendia brinquedos importados e também forte apache e demais coleções porém só pagamento a vista. Ganhei meu primeiro forte apache em 1967, quando abri a caixa ainda podia sentir o cheiro da tinta dos bonecos recém pintados, muito marcante, ainda hoje lembraria do cheiro. Em frente a loja Continental era a loja Hermes Macedo, todo ano esta loja montava um portal natalino passando por cima da rua, era muito mágico, dentro da HM encontrava-se um presépio com figuras em movimento, coisa rara nos anos 60. Caso não encontrasse nada do agrado e financeiramente acessível seguiamos para loja Malucelli da Visconde, onde a bandinha dos papai noéis tocando sem parar. Ainda hoje passo nestes locais e só restaram lembranças de um tempo que insiste em não ir embora da minha mente...Abraço a todos e um feliz 2015


De: Ronaldo Ognibene
Obrigado Pizzutti em compartilhar conosco as suas agradáveis lembranças dessa época.Que eu me recorde do inicio da década de 70 existiam também as lojas Modernas no Itaim-bibi,a Sears (onde é o atual Shopping Paulista e no Shopping Iguatemi) e a loja Balão Vermelho (tb. no Shopping Iguatemi).Em todas essas se podia encontrar toda a linha forte apache Gulliver,sendo o atrativo principal a exposição das caixas nas vitrines.Um Feliz Natal,um excelente Ano Novo e abraços a todos!


De: clinica.basile@terra.com.br
Fantástico artigo ...conseguiste descrever toda a sensação que eu tinha nos Natais da minha infância .... cheia de estórias de cowboys ,soldados e índios . Lojas Americanas em POA e do Hobby brinquedos( primeiro contato com a Britains ainda no inicio dos anos 70) época maravilhosa ... Muito obrigado pelo artigo. Grande ano novo!


De: cassiano olegario
Concordo com todos os pontos do teu relato Luiz, o Natal era mágico sim, havia encantamento quando o mês de dezembro iniciava...o encontro com a família e os presentes eram a coroação resultado do ano todo, fosse de estudo ou bom comportamento, na verdade deveriam ser os dois!! Eu sempre morei em cidade do interior e em se tratando de brinquedos as novidades sempre chegavam com atraso nas lojas , isso quando chegavam! Mas era extremamente prazeroso passear pelas papelarias (aqui não existia loja exclusiva de brinquedos) e escolher o presente. Nem sempre o presente escolhido cabia no orçamento do pai , eram tempos difíceis e os brinquedos não eram baratos. Dificilmente completava-se uma coleção, geralmente eu ganhava um personagem ; ficando o restante para o aniversário ou dia da criança. O legal da nossa infância e´que tudo era perfeito, a família, os amigos , escola, os brinquedos; éramos felizes e acho que no fundo sabíamos disso....


De: marcos.stivale@ig.com.br
Muito legal essa matéria ! Sou da região do grande ABC e me lembro das Lojas Americanas que ficava na Rua Coronel Oliveira Lima, aqui em Sto André, a qual, nos anos 70, da mesma forma, possuía prateleiras e verdadeiros "cestos" de madeira lotados de índios, soldados e cowboys da Gulliver. Tudo bem separadinho. Sempre tinha também os conjuntos completos. Forte Apache, Chaparral e a Caravana. Lembro-me ainda de forma tão nítida do conjunto Planície Selvagem colocado em lugar de destaque por ser um lançamento, então, daquele ano.Era uma festa para os olhos de qualquer menino daquela época. Hoje, infelizmente, aqui na região do ABC (e olha que a Gulliver é daqui desta região) você não encontra mais nenhum brinquedo da linha far west, nem mesmo o forte apache de plástico com suas figuras cabeçudas (Atlantic). Nenhuma loja, nenhum magazine te qualquer produto sobre o tema. É uma pena que este país seja um lugar onde não se dá nenhuma importância à memória e nem mesmo alguma consideração com o público a não ser o que se refere aos lucros financeiros.