BACK TO 1979 (POR ALGUNS INSTANTES...)



Num dos artigos “Diversos”, publicado em um dos anos anteriores, tive a oportunidade de relatar que, dos muitos anos da minha vida (já são 43...), o que mais deixou saudades foi 1979. Se me fosse concedida a possibilidade de viver novamente um ano, escolheria 79.

 

Diversos fatores contribuíram para a minha preferência por este ano. Foi um ano em que aparentemente tudo na minha vida deu certo. Até meu time de futebol, o Internacional, foi tricampeão brasileiro INVICTO em 79 (e, depois disso, nunca mais...). No que se refere a brinquedos de faroeste especificamente, 1979 foi o último ano de produção dos brinquedos clássicos. A partir de 1980 os clássicos foram substituídos pelas figuras Atlantic. E no final de 1979 eu ganhei de aniversário um Forte Apache grande, sem nem desconfiar de que se tratava do último na versão clássica...

 

Não sou sociólogo nem antropólogo mas, mesmo na minha ignorância, penso que 1979 também marcou o fim de uma era. A década de 1980 foi uma década de transição, uma espécie de “adolescência”. Até 1979 o mundo era um, e havia sido o mesmo por décadas. Quando a década de 1980 chegou ao fim o mundo já era outro, parecido com esta loucura que vivemos hoje.

 

Nos meus delírios saudosistas me imagino embarcando na máquina do tempo e rumando para 1979, sem passagem de volta...

 

A minha coleção de brinquedos representa uma espécie de elo com o passado, ao colecionar é como se um pedaço de mim ainda vivesse naqueles maravilhosos anos. E ter a oportunidade de encontrar um brinquedo original fechado na caixa, nunca brincado, nas mesmas condições em que estaria se o tivéssemos comprado numa loja décadas atrás, representa uma espécie de “experiência do tempo”. Não sei se o leitor me entende ou se isto é devaneio demais...

 

Por isso, fiquei literalmente “louco” quando apareceu publicado neste site o anúncio do produto abaixo:  

 

O começo desta história está narrado no artigo O Barco Viking Casablanca, publicado em setembro de 2012. Para resumir, o anunciante era filho de um antigo dono de loja de brinquedos, e dois fortes como este haviam sobrado no estoque da loja do seu pai. Originais, fechados na caixa, nunca brincados.

 

Para muitos colecionadores talvez fosse mais um item para as suas coleções. Para mim representava a possibilidade de experimentar a tal “experiência do tempo”. E por se tratar de um modelo 1979 significava a oportunidade de experimentar tal sensação justamente em relação ao ano que foi mais marcante na minha vida.

 

E parti com tudo para cima do vendedor. Mas sem sucesso, os dois fortes foram vendidos para outra pessoa. Bem, não quero aqui repetir o que já está narrado em O Barco Viking Casablanca.

 

Mas o fato é que após a publicação da atualização de setembro de 2012 recebi um contato do colecionador Fernando Camargo, de São Paulo. Havia sido ele o feliz comprador dos dois fortes, e gentilmente se dispunha a me vender um.

 

Acertado o negócio, parti para Santana do Parnaíba, onde o Fernando reside, para buscar o forte. Estive na residência dele na noite de 27/9/12. Era uma noite tão fria em Santana que eu não conseguia nem conversar, somente batia queixo. O Fernando, que nunca havia me encontrado pessoalmente, deve ter me achado meio estranho...

 

Dia 28 foi o meu retorno para Curitiba. E eu esperando o embarque em Congonhas, com a caixa do Forte Apache na mão, em meio a um mar de executivos preocupados apenas com seus negócios, freneticamente enviando mensagens em seus notebooks e smart phones. Entre os que embarcavam para Curitiba havia um grupo que tinha ido a São Paulo para visitar a São Paulo Boat Show, e estavam eufóricos com seus folders de lanchas e iates. Cada um com seus brinquedos...

 

No sábado, 29 de setembro, finalmente me dediquei à experiência do tempo, ou seja, por alguns instantes retrocedi a 1979. Abrir a caixa, sentir o cheiro do conteúdo (memória olfativa), retirar as figuras, ainda encaixadas nas suas posições de embalagem originais, com os elásticos originais, etc. Enfim, publico algumas imagens do forte logo após ter sido retirado da caixa.

 

 

O embalamento original do conjunto era da seguinte forma: primeiro o forte, no fundo da caixa, com diversas figuras presas, em pé, nas presilhas da base. As duas torres deitadas sobre as laterais do forte, no sentido frente – fundo, apoiadas nas laterais da casa. E apoiada entre as torres, de cabeça para baixo, a base que aparece na frente do forte, também com figuras presas nas presilhas. Desta forma, o centro do forte, à frente da casa-quartel, era ocupado pelas figuras, algumas em pé, outras de cabeça para baixo, praticamente tocando cabeça com cabeça. Neste modelo as figuras não vinham em sacos plásticos, como em modelos anteriores, pois vinham todas presas nas presilhas, seguindo o slogan “já vem montado”.

Paguei caro por este forte. Na verdade, paguei caro pela experiência, pela sensação.

 

As figuras, que ficaram mais de 30 anos fechadas na caixa, estão em ótimo estado, principalmente em relação à qualidade do plástico. Isto só reforça a importância que tem protegermos esses brinquedos da luz.

 

Sei que cada colecionador possui um brinquedo preferido, ou uma fase preferida. Eu, sinceramente, gosto muito dos itens produzidos pela Gulliver em 78 e 79 (a última fase da série clássica). Vejam, por exemplo, a pintura do Coronel que aparece à direita do forte. Não é fantástica? E os cavalos? As séries de 78 e 79 vinham sem os tradicionais cavalos “magrinhos”. Apenas belos cavalos acompanhavam os conjuntos de 78 e 79.

 

Enfim, apesar da negativa do proprietário original em me vender um de seus dois fortes, parecia estar escrito que um deles seria meu. E fiquei tão feliz com a aquisição que tive até o sono perturbado por duas noites. Depois voltei ao normal. Contrariando meu jeito normal de ser, até enviei um e mail ao proprietário original para informá-lo de que o forte, que ele não quis me vender, já estava comigo...e anexei uma das fotos acima publicadas, comigo e o forte.

 

Faltava-me o Forte Apache grande de 1979. O meu, que ganhei de aniversário em 79, dei para um amigo numa mudança de residência realizada em 1985. Em 2009 consegui até reencontrar este amigo, mas ele não tinha mais o forte.

 

Mas eis que um Forte Apache 79 grande apareceu em leilão no Mercado Livre e minha esposa, que nunca havia comprado nada no ML, se cadastrou e arrematou o forte para me dar de presente de aniversário (que é em novembro). Segue imagem do presente:  

 

 

 

Nos aniversários de 1979 e 2012 ganhei o mesmo presente – um Forte Apache 79.

Assim, fiquei com a série 79 completa, com os modelos grande e pequeno.

 

Como já escrevi em textos anteriores, recordo-me que a base do meu forte 79 de infância era verde. Só recentemente começaram a aparecer imagens deste modelo, comprovando o que minha memória insistia em lembrar. A melhor imagem me foi enviada pelo colecionador Gilmar Massone:

 

 

Em relação ao forte que é o assunto principal deste artigo alguns colecionadores estranharam o fato dele vir com torres, mas na caixa aparecer com guaritas. Bem a diferença básica entre os modelos 78 e 79 é esta: os de 78 tinham guarita e os de 79 tinha torre. Imagino que no início de 79 tenha sobrado na fábrica da Gulliver um estoque de caixas dos itens de 78 e a empresa, ao invés de jogá-las no lixo, aproveitou-as para embalar alguns dos modelos produzidos em 79.

 

Por falar em caixa, sabemos como a Gulliver buscava inspiração nos brinquedos Espanhóis. Pois é, como o colecionador Richard Kyaw apurou, até a ilustração da embalagem teve “inspiração” Espanhola:

 

 

 

Bem amigos, era o que eu tinha para contar. Já que não posso (ainda) voltar no tempo, sigo aqui neste louco século XXI...

Até a próxima!

 

Marcos Guazzelli

 

Janeiro de 2013





Comentários

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De: Tadeu Buono
Parabéns pela aquisição do forte . Concordo com meu " chará " , que quando estou com meus bonecos , me transporto para as datas anteriores , e revivo o passado , e um passado muito feliz , e podem ter certeza , vivi antes de vcs , pois sou mais velho que todos , pois minhas lembranças das primeiras coleções datam da década de 60 , e não 70 . Um forte abraço a todos meus amigos colecionadores .


De: RICHARD
Eu tive o de 78, grande, com guaritas. Nunca gostei das torres. Lembro como se fosse hoje...foi o presente que escolhi de aniversário. lembro também que meus pais tentaram me convencer a não comprar o forte....por acharem que aos 14 anos, já esta "crescido" para aquele tipo de brinquedo. Na época achei uma tremenda evolução. Os cavalos eram parrudos, a pintura muito boa, e o forte ainda vinha com belos prédios no fundo e uma base colorida. Incrível essa compra Marcos, poder abrir um forte intocável desses, é realmente voltar no tempo. O meu comprei numa papelaria "clássica" no Rio de Janeiro, que tinha tudo da Gulliver em estoque, sempre, a "Casa Mattos". Faliu no início da década de 90.


De: Gilmar
Eu tive o forte grande de 1979 e recentemente consegui o de base verde da foto me senti em uma maquina do tempo e voltando ao ano de 1979. Parabéns Guazzelli.


De: Mario Vaz
Em 1979, também ganhei meu Forte Apache, era igual a esse aí, infelizmente ele ficou muito tempo guardado e os cupins destruíram as partes de madeira. As figuras, as torres, as escadas,a base que ficava na frente e as figuras eu ainda tenho. Quando vi as tuas fotos também voltei no tempo, as vezes sonho que estou entrando na loja lá em 1979. Lá tinha de tudo, fortes, carroças, soldados e índios avulsos ... Atualmente no mesmo prédio funciona uma loja de R$ 1,99. Parabéns pela aquisição


De: Tadeu Mahfud
Toda vez que leio uma das histórias do Guazelli eu vejo que não sou o único louco deste mundo. Sou ultimamente muito cobrado por me preocupar somente com soldadinhos do que com outras coisas, porém concordo com o MG, parece que quando estou perto dos meus brinquedos é como se um pedaço de mim ainda estivesse nos anos 70, eu me teletransporto para uma outra dimensão, é um sentimento muito estranho, mas pelo que vi compartilhado por outros. Eu também sou feliz proprietário de um forte 1979 grande, tive um pequeno porém faz 2 anos troquei por um de 1975 que eu queria muito. Abs a todos!!


De: Cleso Brito
Que história legal. Parabéns pela aquisição Guazzelli. Fico feliz. Nada como brinquedo novinho. Eu também tenho um desses fortes 79 com base verde, porém sem a base externa do forte. Abraço