TEXTO DE FABIANO ALVES



Recebi um texto do leitor Fabiano Alves, falando um pouco da sua experiência com brinquedos. Segue:

Eu me chamo Fabiano Alves e sou colecionador de figuras, tendo faroeste como tema principal da minha coleção, mas com alguma variação para medievais e figuras que representam alguns fatos interessantes da história. Resumindo, tenho esses brinquedos desde a minha infância, e quando cheguei aos 40 o saudosismo reascendeu o meu interesse pelas figuras e pelos fortes que possuo. Após alguma pesquisa na internet descobri o seu site e outros, o que foi muito importante para mim, que pensava ser o único "louco" já cascudo que se interessa por Forte Apache. Passei a conhecer melhor esse universo acessando o seu site. É muito legal saber a relação das pessoas com o brinquedo. O que me surpreendeu foi a similaridade das histórias, e perceber como a infância de nossa época foi especial. Fico sempre com a idéia de que uma reunião de colecionadores de Forte Apache seria como uma reunião de família, dada a afinidade. Sem me prolongar muito, escrevi um pequeno artigo sobre essa atividade de colecionar figuras que estou vivendo, de restaurá-las, vender, comprar,  enfim.

Tenho forte apache desde a minha infância, brinquei muito com eles, ao ponto de diversos ficarem bem danificados, em virtude da quantidade de batalhas que participaram.

Ficaram praticamente 27 anos guardados nos porões da minha casa, e da casa da minha madrinha, onde passei muitas férias na minha infância. Resolvi reunir todos, limpei, arrumei em um armário, passando a restaurar primeiramente as pinturas, o que se tornou um passa tempo, uma maneira de reviver momentos maravilhosos da minha infância. Definitivamente a memória afetiva pode fazer milagres com as pessoas, pelo menos comigo é ótimo para fugir da vida de adulto e voltar a ser guri.

Vendi minhas figuras repetidas no Mercado Livre e comprei outros que já tive, ou que nunca tive. De qualquer forma minha coleção está crescendo sem parar ... virou uma febre boa. 

Seus artigos são ótimos, permitem conhecer a história do forte apache, dos fabricantes, e tudo mais. Com seus artigos sobre as viagens que fez, passei a ter informações importantíssimas sobre lojas no exterior. Tenho como orientar meus amigos que viajam para fora, como e onde comprar as figuras que me interessam. Estou enviando algumas fotos da historia que te contei aqui e de alguns trabalhos de restauração e customização de algumas figuras. Criei novas figuras a partir de partes de algumas antigas bem danificadas. Restaurei algumas com partes de outras que não tinham mais como ser aproveitadas.

Li o artigo sobre sua cadela Akiri.  Também tive uma cadela Pastor Alemão, Layka, que foi muito importante durante os 15 anos que esteve em minha vida. Desde sua morte, há 7 anos, a ideia de ter outro cão ainda é complicada para mim.

Na imagem abaixo, eu brincando com brinquedos de faroeste em 1981:

 

A seguir algumas imagens da minha coleção de brinquedos de faroeste:

 

 

 

 

Restaurações:

Esta figura estava apenas com a parte superior do arco danificada. Fiz uma reconstrução com silicone  e retoquei a pintura. Foi minha primeira tentativa de restaurar uma peça. Após varias tentativas com diversos materiais, foi o melhor resultado que consegui. Fiz uma fôrma numa barra de sabão glicerinado, utilizando a parte inferior do arco como molde. Depois coloquei silicone e retirei as rebarbas com uma lixa comum.

 

Esta figura é o resultado da junção de duas figuras danificadas nos “tiroteios” que criei em minha infância. As pernas vieram de um soldado de cavalaria, que atirava para traz, e estava sem braço e sem cabeça. A parte de cima aproveitei de um cowboy a pé, também da Casablanca, que estava com as pernas derretidas. Cortei as partes danificadas, colei com silicone, preenchi algumas lacunas com resina e pintei. Particularmente, gostei muito do resultado desta customização.

A partir da criação da figura acima, peguei diversas figuras repetidas e/ou danificadas e passei a criar outras bem interessantes. Procuro imaginar algum tipo de personagem das diversas histórias às quais tive acesso pelo seu site. As fotos abaixo são de um pensamento que tive quando observei as figuras do General Custer que possuo, representando-o sempre a pé, na batalha de Litle Bighorn. Vi dois filmes contando a história do General, e resolvi criar uma figura representando Custer, a cavalo, comandando os soldados ao ataque conforme vi no filme. 

 

 

          

Também utilizei partes de figuras danificadas, colando o dorso de um soldado de cavalaria às pernas de um cowboy. Fiz alguns ajustes e pintei.

O soldado abaixo foi uma herança de um primo mais velho, falecido no mês passado. Ele  me presenteou com as figuras com as quais brincou em sua infância, quando eu era um guri que estava completamente alucinado pelo forte apache que ganhara de minha mãe, ainda nos anos 70. É um forte de madeira que tenho até hoje. Na época ele veio apenas com alguns soldadinhos, e sem índios.  Ao comentar entusiasmadíssimo com meu primo sobre o presente que ganhara de Natal, meu primo foi a algum lugar da casa e voltou com uma caixa repleta de figuras; soldados, cowboys e  índios que complementaram o meu forte na época. Felizmente, tenho até hoje algumas figuras e outras se perderam em aproximadamente 30 anos de história. Meu próximo passo com as restaurações será reformar esse forte de madeira, que sofreu alguns ataques de cupins com o  passar dos anos, e concluir a customização de um forte da Timpo que comprei do colecionador Richard Kyaw. Este forte é de 1971 e estava com vários problemas que tentei sanar com parte de outros modelos de forte que possuo. Fiz varias modificações, que só  não conclui por falta de tempo, sabe como é trabalho família, crianças, putz -  minha “infância” não é mais a mesma.

Após algumas décadas com o rifle quebrado, resolvi restaurá-lo cortando a sobra que estava na mão do soldado e colando uma parte inteira e nova que retirei de um figura devidamente canibalizada.

           

Colei a nova parte do rifle com silicone e refiz toda a pintura do soldado e do cavalo, que está inteiro.

           

No caso deste próximo soldado, fiz a reconstrução do sabre. Aproveitei o sabre de outra figura danificada e sem conserto, a figura ganhou nova pintura.

 

 

Os medievais abaixo ganharam novas pinturas e armas. Fiz uma lança com resina e uma base de durepox para o cavalo, que vivia tombando. Para o outro aproveitei um escudo e arma.

           

A reconstrução mais recente que fiz é desse antigo índio da Gulliver, que estava em pedaços. Resolvi reconstruir colando as partes originais que encontrei, e o que faltou peguei em outras figuras e acessórios. Em todos os pontos colados fiz pequenas perfurações nas quais introduzi hastes de plástico para criar uma estrutura de sustentação para braços, pernas e tronco do boneco. e colei com cola de silicone. Finalmente pintei.

 

Bem, assim terminou o texto do Fabiano. Muito obrigado pelo envio das informações e das imagens. É bom saber que pessoas encontram nos brinquedos de faroeste uma válvula de escape da loucura cotidiana, e que tais brinquedos representam uma espécie de via expressa para as recordações dos melhores momentos de nossas infâncias.

 

Até a próxima,

Marcos Guazzelli

Maio de 2012

 

 





Comentários

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De: Roberto Vasco
Parabens.Otimo trabalho, nossas lembranças são parecidas, infelizmente não preservei os brinquedos de minha infância, mas graças a Deus, consegui comprar tudo de novo.Por último, acho que o Gen.Custer deve estar se revirando em seu tumulo, pois voce pintou o General com o uniforme confederado(sulistas).


De: Marcos Avellar da Costa
Não tenha medo de ter outro cão, é o melhor amigo, fiel e traz muitas alegrias à vida da gente, só lembrando: Não compre, adote!


De: Rodolfo siqueira
Gostei; Parabéns!


De: Rosangela
Belo trabalho, parabens!


De: Javo
Parabéns, boas customizações.


De: Mario Vaz
Parabéns meu amigo, muito bom o seu trabalho de restauração. Também criei algumas figuras a partir de pedaços de figuras Atlantic. Também ficou bacana.