GUNSMOKE



Provavelmente a maioria dos apreciadores de faroeste não sabe (eu não sabia), mas Gunsmoke surgiu como uma novela de rádio, antes de ir para a TV. A série foi criada por Normam MacDonnell e John Meston, e foi ao ar pela primeira vez no rádio em 1952, e permaneceu no ar até 1961 (432 episódios). Diz-se que para os admiradores dos programas de rádio, Gunsmoke é considerado um dos melhores de todos os tempos.

Em 1955, com o sucesso do progama de rádio, decidiu-se produzir uma versão televisiva de Gunsmoke (pela CBS). Muitos acreditavam que Gunsmoke era um programa que dava certo para o rádio, e que seria um grande fracasso na televisão. Mas não, a versão televisiva de Gunsmoke foi produzida por 20 anos, até 1975, e teve 635 episódios, sendo 233 deles de 30 minutos e 402 de uma hora. Desta forma, Gunsmoke é um dos seirados televisivos de maior longevidade de todos os tempos.

Abaixo, em imagem da wikipedia, os atores da versão radiofônica de Gunsmoke, caracterizados como os personagens que representavam:

Por ocasião da decisão de produzir a versão televisiva de Gunsmoke, os atores do rádio acharam que deveriam ser as escolhas naturais para representar também na TV os seus papéis. Mas acabaram não sendo escolhidos, e isto provocou algumas amarguras bastante duradouras.

Os atores escolhidos para os papéis principais na TV foram:

- James Arness, para viver o delegado Matt Dillon;

- Amanda Blake, para viver o papel de Kitty Russel, dona do saloon;

- Milburn Stoner, para representar o doutor Galen Adams; e

- Ken Curtis, para o papel de Festus Hagen.

Diz a lenda que o primeiro ator sondado para viver Matt Dillon teria sido John Wayne, o qual teria recusado. James Arness confirma esta versão. O produtor da série nega. O fato é que a apresentação do primeiro episódio televisivo de Gunsmoke, em 1955, foi feita por John Wayne. E entre outras coisas, John Wayne disse: “desde a primeira vez que ouvi sobre a produção da versão televisiva de Gunsmoke eu sabia que havia apenas um homem para o papel de delegado – James Arness”.

Gunsmoke se passa na cidade de Dodge City, Kansas, e se inicia por volta de 1860. Dodge City (a real) foi famosa por ser um importante entreposto de gado, com todas as confusões que isto implica (muitos cowboys, mulheres, dinheiro e álcool). Abaixo uma imagem de Dodge City em 1874:

Abaixo, uma imagem do set de Gunsmoke:

Os episódios de Gunsmoke foram de meia-hora até 1961, e a partir daí de uma hora. Em 1966 começaram a ser produzidos em cores.

A última temporada não teve a personagem Kitty Russel, uma vez que Amanda Blake resolveu não participar mais da série (estava cansada). Era evidente que Matt Dillon e Kitty Russel tinham um envolvimento sentimental, mas seus personagens nunca foram casados.

Durante 16 temporadas a placa do escritório do médico dizia apenas “Dr. G. Adams”. Apenas a partir da 17ª temporada o médico passou a ter nome completo: Galen Adams.

Gunsmoke ocupou o primeiro lugar em audiência na TV americana entre 1957 e 1961, depois a audiência caiu. Em 1967 a CBS decidiu cancelar a série, mas isto provocou alguma revolta. Até membros do Congresso Americano se revoltaram, assim como a esposa do presidente da CBS, e a série acabou continuando (até 1975). A audiência voltou a crescer, e a série se tornou top 10 até 1974.

Ao final da temporada de 1975 tudo ia bem, e os atores saíram para suas férias, para posteriormente retornar para a temporada de 1976. Contudo, ficaram sabendo pelos jornais que a série havia sido cancelada. Sem explicações.

Durante os 20 anos em que Gunsmoke foi produzida, outras 30 séries de faroeste nasceram e morreram na TV americana. Nenhuma durou tanto quanto Gunsmoke.

Cinco filmes Gunsmoke foram produzidos (1987, 1990, 1992, 1993 e 1994).

O museu de Dodge City possui uma área de dedicada a Gunsmoke, com mobiliário dos cenários, roupas, e uma TV sintonizada permanentemente na série.

Muitas tomadas externas de Gunsmoke eram feitas na cidade de Kanab, em Utah, num local chamado Johnson Canyon. Desta forma, havia neste local uma réplica da cidade, igual ao cenário de Hollywood, para permitir as filmagens de externas. O que resta do cenário ainda está lá, mas a visitação não é permitida, pois está abandonado, sem manutenção, e ameaça desabar:

Relembrar Gunsmoke é muito bom, pois traz de volta uma época muito feliz da minha vida. Uma época onde parecia haver mais segurança, mais certeza de que iríamos dormir e no outro dia o mundo continuaria existindo exatamente como no dia anterior, mesmo com a ameaça da guerra fria no ar. Atualmente, sinto uma ausência de segurança, uma evaporação de valores, de algo sólido, onde o que vai acontecer no dia seguinte parece estar sempre ao sabor do humor do mandatário de plantão.

Gunsmoke também era um sucesso no Brasil, e alguns episódios foram transmitidos em TV aberta até 1989 (Record). E como tudo que faz sucesso na TV ou no cinema acaba virando brinquedos, com Gunsmoke não seria diferente. Quem por aqui produziu o brinquedo Gunsmoke foi a Viocena.

Esta fábrica, aliás, representa para mim um mistério. Já gastei muitas horas pesquisando documentos legais da história dos fabricantes de brinquedos de faroeste. Já encontrei várias informações a respeito da Casablanca, da Gulliver, da Trol, da Comanche, mas até hoje não encontrei absolutamente nada a respeito de Viocena. Como se nunca tivesse existido juridicamente. Mas eu ainda não desisti.

Outro aspecto que para mim é um mistério é que a diligência e figuras do set Gunsmoke da Viocena, à exceção das 4 figuras que representam personagens da série, são cópias da Casablanca. As figuras da Trol também eram cópias da Casablanca, e até vinham com “Casablanca” na base, mas este mistério já elucidamos – o diretor da Trol era ex-sócio da Casablanca. Contudo, o mistério da Viocena persiste.

Mas, com ou sem mistério, a Viocena lançou duas séries de Gunsmoke no Brasil. Eu tive dois, infelizmente ambos da segunda série (poderia ter sido um de cada). O primeiro eu ganhei em 1976 e destruí. O segundo eu ganhei em 1980 e tenho até hoje.

Acho que já contei esta história, mas repeti-la custa apenas alguns toques: em 1980 eu, um primo e meu padrasto percorríamos o centro de São Paulo procurando brinquedos de faroeste (em 1980 a Gulliver já tinha substituído sua linha pelas figuras Atlantic, sem pintura). Acabamos indo a um local que era apenas do tamanho de uma porta, cheia de guarda-chuvas pendurados. Ao entrar no estabelecimento passamos por um longo corredor só de guarda-chuvas e, ao final, se abria numa sala mais ampla. Os quatro lados desta sala eram preenchidos por prateleiras do chão ao teto, com tudo o que vocês podem imaginar em termos de brinquedos de faroeste. Meu padrasto disse: “você pode escolher apenas um”, e eu não hesitei – escolhi o Gunsmoke. Meu primo também. É este Gunsmoke, da loja de guarda-chuvas, que aparecerá aí abaixo.

Bem, se o Gunsmoke que ganhei em 1976 já era da 2ª série, estabelece-se que a primeira série foi produzida no máximo até 1975. A data de início da produção do brinquedo é desconhecida.

Como não possuo mais a caixa do Gunsmoke, e nunca tive a versão da primeira série, me socorri de imagens do site Nosthalgia. Seguem então a imagem da caixa (utilizada para as duas séries) e a imagem da primeira série do conjunto:

A imagem acima é boa porque mostra as 4 figuras que representavam os quatro personagens principais da série. Eu vi no Nosthalgia algum debate no sentido de quais figuras a mais vinham no set. Pois bem, além dessas quatro figuras principais, o set trazia o cocheiro, os dois cowboys da diligência da Casablanca e mais algumas figuras de cowboys a cavalo (três), também cópias da Casablanca.

As diligências foram produzidas nas cores azul, marrom, e uma espécie de salmão com bege.

A seguir a imagem da 2ª versão. Este é o meu, adquirido há 32 anos na loja de guarda-chuvas. Para ilustrar melhor a respeito das demais figuras que compunham o conjunto, são as seguintes: cocheiro, as figuras que estão sentadas dentro da diligência, e o cowboy sentado atrás da diligência. Além disso, o cowboy de camisa vermelho que aparece a cavalo na frente do joelho do cocheiro e outro cowboy de camisa vermelha (um pouco descascada) que aparece à direita da diligência verde (a diligência verde é da Casablanca).

Nas duas versões o set era composto por um saloon, escritório do xerife e estrebaria. Creio que o set teria sido mais completo se também trouxesse um escritório do médico.

Em outros países também forma produzidos brinquedos com base no seriado Gunsmoke, e eu procurei reunir imagens de alguns deles para mostrar aqui.

Jogo:

Gunsmoke da Marx:

Outro set, marca Multiple:

Lancheiras:

Armas:

Matt Dillon:

O tempo passa para todos … aí está o James Arness vovô:

Arness faleceu em 3 de junho de 2011, aos 88 anos de idade.

A arma utilizada pelo delegado Matt Dillon em Gunsmoke está exposta no Bufallo Bill Historical Center, em Cody, Wyoming, onde estive em abril de 2012 e tirei a foto abaixo:

A Winchester produziu um modelo em homenagem a James Arness, com partes em ouro 24 quilates:

Também há um modelo  de Colt em sua homenagem:

Ambas as peças podem ser encomendadas em http://www.jamesarness.com/product.html, por quem tiver “bala”...

E para quem deseja ter um cinturão igual ao que ele usava na série, segue o anúncio:

Bem, era isso que eu tinha para contar.

Até a próxima.

Marcos Guazzelli

Maio de 2012





Comentários

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De: SILVIO DOS SANTOS CAMARGO,S.J.CAMPOS-SP.
Pôxa que legal,simplemente demais todo este conteúdo,bom saber que tem pessoas que colecionam e preservam este periodo dos seriados de Western tal como Gunsmoke,Laramie,Laredo,Dois contra Oeste,Chaparral,Big Vale,James West,Os Pioneiros e por aí vai!Parabéns pela materia e fotos;recordar é viver com certeza!Silvio Camargo.


De: Giancarlo Costa - Fortaleza/Ceará.
Ganhei o conjunto Gunsmoke no natal de 1977, aos 11 anos de idade. Sonhava com um Forte-Apache, mas estava em falta e o vendedor me apresentou a "novidade". A partir de então curti o brinquedo por muito tempo, até que os índios conseguiram destruir a cidade. Aqui em Fortaleza, o conjunto não ficou muito conhecido. Isso fez com que, com o tempo eu acabasse por esquecer seu nome. Lembrava de tudo, menos do nome. E, como era o único da turma de infância a ter um, não consegui obter resposta dos amigos quando até bem pouco tempo, perguntava pelo mesmo. Há alguns dias lembrei de procurar através do GOOGLE, quando tentei de toda forma obtê-lo. Por fim, encontrei junto a alguns comentários sobre fortes Gulliver, um nome que me pareceu familiar. Gunsmoke soou familiar. Portanto, decidi investigar e acabei aqui, escrevendo esse comentário. Valeu, Marcos! Obrigado por me proporcionar esse grande prazer. Caro Marcos Faria, de Angra - logo abaixo listado - compartilho plenamente com sua opinião. Abraços a todos, Giancarlo Costa.


De: Tadeu Mahfud
Eu era muito pequeno, e me lembro muito pouco desta série na TV, porém tenho saudade do conjunto Gunsmoke que ganhei nos meus 5-6 anos de idade e se perderam no tempo e espaço. Me lembro que a cidade ficava proxima ao meu forte e os indios atacavam tudo...rsrss. Valeu pela matéria Guazelli.


De: Raul Aguiar
MAIS UMA GRANDE MATÉRIA!NÃO ERA MINHA SÉRIE DE FAROESTE FAVORITA, MAS, GOSTAVA MUITO DO CONJUNTO QUE TIVE, E FOI A SEGUNDA VERSÃO!MINHA DILIGÊNCIA ERA DE COR SALMÃO,E REALMENTE VIERAM ALGUNS COWBOYS CÓPIAS DA GULLIVER,ALÉM DOS PERSONÁGENS PRINCIPAIS.SAUDADES!


De: Rovilson
Não escondo de ninguém que minha série preferida sempre foi Chaparral, mas não quer dizer que não assistia Gunsmoke, achava-a muito boa, idéia para seu próximo artigo do tipo, que tal o O Homem de Virgínia? Parabéns, muito bom artigo.


De: Marcos Faria ~Angra
Parabens pelas matéria quanto mais descobrimos atraves da sua genial narrativa mais gostamos e os itens tem mais valor ao brinquedos da coleção. Obrigado por sua iniciativa primoroza e abnegada dedicação ao hobby e paixão, tire o pé do acelerador nas estradas mas pise fundo nos seus ideais e sonhos. . Sua obra será eternizada e ajudará em muito na preservação da coleção. Sua educação, respeito, honestidade e idealismo são exemplos a serem seguidos contribuem muito para todos nós de todas formas.Obrigado por tudo.