DIVERSOS - NOVEMBRO 2011



1. Coleções

Recebi pelo correio um exemplar de cortesia de uma revista que desconhecia – a revista Beach & Country. Recebi a edição No 8, de outubro de 2011. Por coincidência esta edição traz uma matéria de várias páginas sob o título de “O Prazer e a Importância de Colecionar”. Reproduzo aqui alguns parágrafos que achei interessantes:

“Figurinhas, tampinhas, livros, discos, obras de arte e muito mais. Estes são alguns dos objetos de desejo de pessoas que encontram no hábito de colecionar uma maneira diferente de entretenimento e estudo. Para alguns, colecionar também pode ser sinônimo de busca, de garimpar coisas raras. Para outros o ato reflete o desejo de se transformar num detetive, de ir atrás do inusitado. Vários, também, utilizam suas coleções como forma de estudar a origem dos povos.”

“Vamos levar você ao mundo enigmático e fantástico dos colecionadores, que percorrem quilômetros em busca do mais raro objeto de desejo, nem que este seja apenas um brinquedo antigo. Colecionar é voltar no tempo, é fazer um resgate da infância, dos tempos passados que foram concretizados em pequenos objetos que contam por si só toda uma história de vida.”

Não gostei do “apenas” no parágrafo acima, como se brinquedos antigos fossem, de alguma forma, inferiores a outros tipos de objetos de coleção.

Na parte da reportagem sobre coleção de brinquedos há dois entrevistados: o comerciante de brinquedos antigos de São Paulo João Gazola e o colecionador de brinquedos Fábio Assumpção Costa. Entre as declarações há algumas imprecisões, que vamos corrigir:

- Sempre que a Casablanca é citada, está grafada incorretamente como “Casa Blanca”;

- Há a afirmação de que o Batmóvel era fabricado pela Casablanca. Não era, o histórico Batmóvel é um produto da Gulliver;

- Há a afirmação de que a Casablanca foi vendida para a Gulliver. Não foi. A Casablanca encerrou suas atividades em 1969, e um de seus sócios decidiu criar uma empresa nova – a Gulliver.

Na entrevista, Gazola afirma que há mais de um milhão de colecionadores de brinquedos no Brasil. Se assim for, creio que somos um dos maiores mercados mundiais para o colecionismo de brinquedos. Eu me surpreenderia se houver mais de dez mil colecionadores de brinquedos no Brasil.

O colecionador Fábio conta que sua coleção de itens de Star Wars possui mais de 20.000 objetos, avaliados em um milhão de dólares. Mas, por fim confessa que seu sonho é ter um Forte Apache da Casablanca.

2. Relic Hunter

Gosto de andar pelas ruas das cidades, as ruas nos contam histórias. Passo pela frente de antigas casas e edifícios em várias cidades do Brasil e fico imaginando quantos brinquedos de faroeste não estão ainda por lá, muitas vezes esquecidos, abandonados, apodrecendo. Os filhos crescem, saem de casa, mas muitas vezes os brinquedos que não foram doados quando os filhos atingiram a adolescência ficam nas casas dos pais. E vão sendo esquecidos.

O próximo desafio desses “velhos” brinquedos é sobreviver à chegada dos netos.

Se sobrevivem aos netos (e muitas vezes só sobrevivem porque ninguém lembra que eles existem), encontram seu destino definitivo com o falecimento dos pais. Nestas ocasiões os herdeiros querem vender o imóvel o mais rápido possível, e tendem a dar tudo o que tem dentro (sem saber que muitas vezes o valor do conteúdo do imóvel, como antiguidade, vale mais que o próprio imóvel). Enfim, o destino desses brinquedos acaba sendo, na maioria das vezes, orfanatos, onde serão destruídos.

Isto significa que todos os brinquedos que ainda estão por aí, esquecidos nas casas de casais idosos, estão com seus dias contados. O desafio de um colecionador é ter acesso a esses brinquedos antes que sejam destruídos. Já imaginei formas de tentar ter este acesso, mas nenhuma delas funcionou, pois os idosos têm medo de estranhos que se apresentam contando histórias “esquisitas”. Muitas vezes são pessoas pobres, que precisam de remédio, ou de dinheiro para um tratamento médico, mas o temor do estranho fala mais alto.

Desde a infância sou fascinado pelo edifício Copan em São Paulo. Meu fascínio vem desde a época em que me contaram que o edifício tinha mais de 5.000 moradores, e a minha cabeça de criança começou a imaginar como caberiam 5.000 pessoas em um só edifício. Quantas vezes na vida eu passei em frente ao Copan, tentando imaginar como seria o prédio por dentro e, também, imaginando se haveria algum brinquedo de faroeste por lá, já que o prédio é de 1966.

Pois bem, o fato é que havia brinquedos de faroeste no Copan. Em agosto eu recebi um e mail do Alcebíades, morador do Copan, contando que possuía a Caravana e o Acampamento Apache (ambos da Casablanca) e desejava vendê-los.

Os brinquedos eram do Alcebíades desde a infância. Um dos conjuntos era dele, o outro do irmão, mas ele adquiriu o conjunto do irmão tão logo este perdeu o interesse por brinquedos. Este é o tipo de situação que eu gosto, pois o interesse do Alcebíades não era apenas realizar um valor financeiro pelos brinquedos mas, também, encontrar alguém que pudesse preservá-los e manter os conjuntos juntos, afinal estiveram com ele por mais de 40 anos (desde 1966).

Acertamos e viajei para São Paulo, onde passei uma agradável tarde de domingo, dia 2 de outubro, com o Alcebíades, tomando uma cerveja e conversando sobre os bons tempos que não voltam mais. Além disso, foi a minha primeira oportunidade de conhecer o edifício Copan por dentro.

Os conjuntos eram uma Caravana 1966 completa, na caixa, e um Acampamento Apache incompleto, faltando uma cabana e a base de papel.

O Alcebíades também tem excelentes recordações dos tempos que passaram e não voltam mais. De sua infância guardou também um Mug (imagem abaixo). Eu não cheguei a conhecer este brinquedo, mas o Alcebíades disse que no início dos anos 60 este boneco foi uma febre, e toda a criança possuía pelo menos um.

O desafio foi retornar a Curitiba, de avião, com os brinquedos na mão. Embrulhei com plástico bolha, da melhor maneira que pude, mas os aeroportos são ambientes de selvageria, com multidões que andam pelos saguões atropelando tudo o que há pelo caminho. Assim, tive que usar todo o meu arsenal de caras feias, para que ninguém (no aeroporto ou no avião) chutasse ou pisasse nas caixas.

Mas enfim, deu tudo certo. Os brinquedos já estão na minha coleção, em prateleira exclusiva, para que não se misturem com os outros, como o Alcebíades desejava. E ficam à disposição para ele visitá-los sempre que quiser.

3. Turma da Mônica

Na edição 59 da revista Mônica, de novembro de 2011, há uma história que mostra diversos brinquedos antigos. Na última página da história aparece o glorioso Forte Apache, conforme imagem abaixo:

4. Trabalho artesanal

O Walquir Fernandes é um gaúcho, como eu. Tem 44 anos e mora na cidade de Cruz Alta. Como muitos, acabou se desfazendo dos seus brinquedos de infância mas, recentemente, redescobriu os brinquedos de faroeste e, com este descobrimento, acendeu-se a chama do colecionismo.

O Walquir pinta figuras e elabora cenários, e nos enviou belas imagens;

Parabéns pelo trabalho, obrigado pelo envio das imagens, e não abandone este hobby recém adquirido.

5. Bambi

Existiu no Brasil, provavelmente nos anos 60, uma indústria de brinquedos chamada Bambi, a qual produzia armas de brinquedo. Não sei por que, mas os produtos desta empresa possuem pouco “ibope” entre os colecionadores, talvez por serem desconhecidos, ou por não serem bonitos. Eu creio que sejam raros, já que até hoje vi pouquíssimos.

Um colecionador anunciou na seção de classificados do site um revólver Bambi (imagem abaixo), por um preço razoável, mas não apareceu um só interessado pelo brinquedo. Para minha felicidade, o referido colecionador acabou me presenteando com o revólver, o qual já está devidamente guardado na minha coleção.

Nas imagens abaixo também aparece uma espingarda, que estava à venda no Mercado Livre. Até onde acompanhei o leilão, não tinham aparecido interessados. Uma pena.

6. Brasão

Uma curiosidade. Encontrei na internet o brasão da família Lavin. No Brasil, foram integrantes desta família que criaram a Casablanca e a Gulliver.

7. Videogame

Não gosto de jogar videogames. Mas reconheço que com a evolução técnica dos jogos eles estão ficando tão bonitos quanto filmes.

O colecionador Marcos Faria, de Angra dos Reis, enviou o link abaixo, que mostra belo um game sobre o Little Bighorn:

http://www.youtube.com/watch?v=iguP7E6hNDI

8. Atlantic e arte

O colecionador Deivid Finamore enviou duas imagens bacanas da Atlantic e o link de um site de obras de Charles Russel:

http://www.allposters.com.br/gallery.asp?startat=/getthumb.asp&CID=9F0A3C9A06774798A30F8ECB3FDE673A&PPID=1&sortby=PD&c=c&page=1&Search=63241&FilterType2=0&FilterType3=0&FilterType1=0

9. Forte

Imagem de um belo forte da Scale Models Unlimited, publicada em http://smu.com/diorama/diorama.html:

10. Perda

Há pessoas com as quais convivemos por toda a vida, mesmo que à distância, mesmo que sem nunca encontrá-las pessoalmente. Algumas delas são até mais presentes em nossas vidas do que nossos próprios parentes, que estão próximos. Por exemplo, quando Ayrton Senna morreu, chorei como se tivesse perdido um parente próximo, afinal Ayrton havia sido o meu companheiro das manhãs de domingo durante muitos anos. Também sofri com a morte do Papa João Paulo II

Outro exemplo é o cantor Roberto Carlos. Acompanho o seu trabalho desde que me conheço por gente, tenho vários discos, já vi os filmes, assisto ao especial todos os anos. No dia em que ele faltar, de uma certa forma também será como perder um companheiro de toda a vida.

Pois no mês de setembro perdemos um companheiro de longa data – o editor Sergio Bonelli, editor de Tex e proprietário da Editora Bonelli. Minha convivência com Tex vem de muito longe e, através do personagem, também me sentia companheiro de longa data de Sergio Bonelli. Sergio Bonelli fará falta para o mundo, um mundo que está cada vez mais ignorante e brutalizado. Obrigado Sergio. Que alguém saiba continuar a sua obra, honrando a sua memória.

Até a próxima!

Marcos Guazzelli

Novembro de 2011





Comentários

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De: Fábio Assumpção
Caro Senhor Marcos, sugiro uma releitura cuidadosa e mais crítica do artigo BRINCAR DE COLECIONAR BRINQUEDOS publicado na revista BEACH & COUNTRY. Na certa o fará mudar de opinião a respeito de meu sonho, pois assim como equivocamente alegado pelo Senhor inexiste no artigo da Beach & Country qualquer informação a respeito de meu suposto sonho em obter um forte Apache Casablanca.


De: Fabio Assumpção costa
Caro Senhor Marcos, sugiro uma releitura cuidadosa e mais crítica do artigo BRINCAR DE COLECIONAR BRINQUEDOS publicado na revista BEACH & COUNTRY. Isto na certa o fará mudar de opinião a respeito de meu sonho, pois assim como equivocamente alegado pelo Senhor inexiste no artigo da Beach & Country qualquer informação a respeito de meu suposto sonho em obter um forte Apache Casblanca.


De: Serguei A. Reis
Olá Marcos,acima vc fala do Edificio Copan no centro de São Paulo. É engraçado pois 80% das ilustrações da Gulliver ( Forte Apache , Combate , Caravana , Chaparral entre muitas outras ) foram feitas em um prédio que fica a 100 metros do COPAN. Meu pai ( Nelson Reis) nesta época mantinha seu estudio em um edifício que ficava ao lado do Hotel HILTON ( quase em frente ao COPAN) e foi justamente aí que foram feitas varias ilustrações e catálogos da Gulliver entre os anos de 1969 e 1975.


De: Raul Aguiar
O MUG foi popularizado pelo cantor wilson simonal, que o tinha como mascote.Eu mesmo tenho um LP dele,e na foto o cantor está com o Mug do lado.Felicidades pra todos! Raul


De: Marcos Faria / Angra RJ
Ao Marcos renovadas felicitações pelo melhor site do tema, ao Hussein, entre me contato comigo. Á todos divulguem, contribuam com o possivel para eternizar a historia deste brinquedo e ampliar amizades sinceras aqui proporcionadas. Felicidades a todos.


De: hussein jacarezinho-pr
Há muito tempo venho visitando este site e fico admirado com a quantidade de de itens de sua coleção de forte apache e como consegue achar tantas raridades. também sou meio nostalgico com este tipo de brinquedo, pois sempre que vejo um forte apache, alguma lembrança boa do passado de criança reaviva. dentre estas lembranças lembro-me que ganhei de presente de natal um pacote contendo doze indios à cavalo, sendo pretos, brancos , cinzas e marrons. Infelizmente acabaram se extraviando. Gostaria de saber se possui esta coleção da Gulliver, se tiver me mande umas fotos. Se não for pedir demais, de todos os modelos de indios à cavalo. Se tiver algum à venda quem sabe $? tudo de bom à você Marcos.


De: Tadeu Mahfud
Ótimas histórias como sempre. Eu me pareço muito com você Guazelli no quesito passar por cidades e olhar casarios antigos e imaginar o que pode existir de brinquedo ali perdido, esquecido, que ninguém mais nem lembra que existe. Que belo achado este teu do conjunto caravana e acampamento apache, ainda vou achar alguém com estes itens e querendo se desfazer. Rezo todos os dias pra isso acontecer. Um abraço e que venha 2012.


De: Pedro luiZ Malaspina
Parabéns mais uma vez pelo site, um Feliz Natal e um Ano Novo de muita Saúde,Paz,Sucesso e Alegrias à Todos!!!um abraço do amigo Pedro(Soldier Blue)


De: Pedro Pacheco
Eu só não dei lance neste revolver da Bambi, que tive em minhas mãos quando criança, porque quando procurei ele não estava mais anunciado, se surgir outro me avise . Se não me engano ele é de rolha. A Bambi fabricava maquinas de costura de brinquedo, que costuravam, acho que nos anos 50.