500 VEZES TEX



Amigos leitores, já me confessei aqui um apaixonado por todas as coisas que remetem ao velho oeste. Entre essas coisas todas, duas dividem o primeiro lugar na minha lista de preferências: os brinquedos de faroeste, razão principal para a existência deste site, e a revista Tex.

Creio que todos os leitores conheçam Tex. Se algum não conhece, não sabe o que está perdendo. Tex é cultura e faroeste da melhor qualidade.

Neste último mês de julho Tex atingiu uma marca que poucas publicações tiveram o privilégio de alcançar – 500 edições mensais ininterruptas no Brasil. Na Itália, onde é criado o personagem, a revista já passou da edição 600.

Para celebrar esta marca, a editora brindou os leitores com uma edição em cores, cuja imagem vai abaixo:

Tex apareceu aqui pelo Brasil ainda nos anos 1950, na revista Júnior (revista em formato de tiras). Contudo, foi a partir de 1971 que ele veio para ficar, e é a partir dali que começa a contagem das edições, até chegar ao número 500.

Como sou de 1969, posso dizer que Tex tem me acompanhado por toda a vida. Antes mesmo de aprender a ler eu já ganhava as revistas de Tex para ver as figuras. Fui alfabetizado em 1976, ou seja, neste ano aprendi a compreender as palavras. Consegui compreender as histórias ali por 1978, e desde então Tex tem me acompanhado quase ininterruptamente.

Com tantos anos de convivência, Tex é para mim como um parente muito próximo, e se eventualmente a publicação da revista no Brasil fosse descontinuada eu sentiria como a perda de um ente querido com o qual tinha o prazer de me encontrar todo o mês para agradáveis momentos.

Os leitores devem ter observado que escrevi acima “quase ininterruptamente”. Explico. Nossas vidas são feitas de altos e baixos, e houve alguns períodos na minha vida em que a situação estava tão ruim que eu não possuía dinheiro suficiente para comprar a edição mensal. Há alguns vazios na minha coleção de Tex, vazios estes que nunca foram completados, talvez por preguiça de fazer peregrinação em sebos. Mas estes vazios acabam servindo como uma espécie de registro biográfico. Ao observar minha coleção de centenas de exemplares de Tex sei exatamente quais foram os períodos da vida em que a coisa esteve preta – foram os períodos em que a sequência numérica está quebrada.

Mas por que gosto tanto de Tex?

Primeiramente por ser um personagem do faroeste. Se Tex atuasse em outro ambiente possivelmente eu gostaria do personagem, mas não tanto.

Mas não é só isto. Gosto de Tex porque é um personagem de absoluta retidão moral, sem relativismos, nas suas revistas há o certo e o errado, o bom e o mau, claramente determinados. E o bem sempre triunfa no final das suas histórias.

Tantos anos de leitura de Tex certamente contribuíram um pouco para a minha formação moral, ajudando a ser o que sou – alguém com tolerância zero para desonestidade, malandragem, picaretagem. Isto me criou, confesso, um pouco de dificuldade para me adaptar a este tal de século XXI, o século do relativismo e da desconstrução de valores. Mas sou o que sou. Para onde a sociedade está indo dentro dos caminhos que escolheu? Não sei, mas não espero nada de bom.

Pelo triunfo da justiça Tex usa, além da inteligência, socos e balas. Se houvesse possibilidade de transportá-lo ao Brasil do século XXI faltariam punhos e munição...

Mas este último bimestre reservou outra alegria, além da edição número 500. Realizou-se em julho em Curitiba a Conferência Internacional de Quadrinhos número 0. Isto mesmo, a número 1 ocorrerá no ano que vem.

O personagem de honra da conferência foi justamente Tex. No desenho abaixo, de Lucio Filippucci, Tex cavalga por Curitiba:

Na sexta-feira, dia 15/7, ocorreu um bate papo com ilustradores italianos de Tex. Na imagem abaixo estão, da esquerda para a direita, Rafaeli (jornalista e crítico de quadrinhos na Itália), Fábio Civitelli (ilustrador de Tex), Julio Schneider (tradutor de Tex no Brasil) e Lucio Filippucci (ilustrador de Tex):

Estar próximo a profissionais como Civitelli e Filippucci é estar com ídolos, e a gente acaba virando um pouco tiete, como na imagem abaixo:

No bate-papo, realizado com auditório lotado e com gente em pé pelos corredores, os palestrantes falaram sobre o fenômeno Tex na Itália (venda anual de 50 milhões de exemplares), sobre suas carreiras, sobre o que gostam de desenhar, sobre o desafio que é desenhar Tex, e curiosidades.

Na imagem abaixo Civitelli apresenta alguns de seus desenhos, realizados para ilustrar um livro biográfico de Tex lançado na Itália:

Após o bate-papo os ilustradores foram ovacionados com uma longa salva de palmas, com o auditório todo em pé. Depois, confraternizaram com os leitores, dando autógrafos e fazendo pequenos desenhos. Nas duas imagens abaixo, etapas de um rosto de Tex sendo desenhado por Civitelli:

Na imagem abaixo, um rosto de Tex sendo desenhado por Filippucci:

O evento continuou à noite, com abertura de uma exposição de desenhos de Tex, com a presença do editor no Brasil (Dorival Vitor Lopes), e dos ilustradores italianos. O evento era aberto para convidados a partir das 19h e para o público em geral a partir das 20h.

Cheguei um pouco antes da abertura para o público em geral e passei de cara feia pelos seguranças. Devem ter achado que eu era convidado, e não me pararam. Quando cheguei ao salão do evento, estava cheio de convidados, e havia uma pequena boca livre, com espumante, refrigerantes, canapés, salgados, etc. Os tais convidados eram, na minha opinião, pessoas que não saberiam diferenciar Tex do Pato Donald. Pergunto – não deveriam ter sido convidados para o bota-fora os leitores da revista, que efetivamente mantêm viva a publicação?

Seguem duas imagens da exposição:

É isto.

Vida longa ao Tex!

Até a próxima,

Marcos Guazzelli





Comentários

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De: Rodolpho
Sou de 1981 e adoro Tex Willer como sou um Nostalgico da Grande e Maravilhosa época do Oeste Selvagem Norte Americano (mesmo sem nunca a ter vivido) para mim Tex é leitura Obrigatória para todos amantes de Wersten


De: Ricardo Gimenez
acompanho o Pard e sua turma desde meus 12 anos de idade. Hoje tenho 45 anos e ainda leio a revista. Queria muito adquirir os personagens em forma de bonecos, mas não consigo encontrá-los. Se alguém souber ... me aviso por favor. jrpgimenez@gmail.com. Um forte abraço a todos os texianos.


De: Tadeu Mahfud
Sou de 1973, meu irmão mais velho com 20 anos mais que eu lia Tex e muitas outras coisas do tema. Eu lia Epopeia Tri e Tex, sargento Rock, Mortadelo e Salaminho, etc. Atualmente estou lendo a história do oeste da Editora Record de 1991. É uma reedição da Editora Ebal.


De: Jean Carlos C.
"Tex" é a melhor revista em quadrinhos publicada atualmente no Brasil! Só que a Mythos tem que "maneirar" um pouco nos preços, de modo a atrair os leitores mais jovens. Vida longa ao "Àguia da Noite"! (P.S.: E, José, o Lucky Luke já foi publicado no Brasil, sim. Confira o link: http://www.guiadosquadrinhos.com/buscadv2.aspx?tit=Lucky+Luke&num=&edi=&lic=&art=&per=&gen=0&mes=&ano=&mes2=&ano2=&submit=Procurar).


De: Jose Antonio Rocha
Nunca soube se vocês ai no Brasil tiveram acesso a Lucky Luke...Um Heroi do faroeste da criação de Morris e Goscinny......Não è de esquecer, pois, apesar e ser desenho mais caricaturado è um icone do velho oeste com direito a filme de animação e com personagens reias...Muito famoso aqui na Europa.


De: Leme
Como colecionador do Tex só posso concordar com tudo que foi dito. bem como parabenizar a menção dos 500 exemplares lançados.Tex me acompanha desde 14 anos tenho 54 e vibro hoje como nos tempos de infãncia. Vida longa a TEX.


De: cassiano olegario
Eu particularmente fiquei um pouco decepcionado com o caderno que mostrava as 500 capas de tex, já está virando tradição pois tem se repetido a cada 100 edições. Mas a hostória do gibi me agradou, lembrou o enredo do filme do antonio banderas (o décimo terceiro guerreiro).


De: Pérsio
Eu sou de 1968, e também passei bons momentos com a revista TEX. Vou procurar o número 500 nas bancas aqui de Juiz de Fora.