UMA HISTÓRIA



Imagine leitor que um dia você resolve mexer num velho armário, que estava esquecido num canto qualquer da sua casa.

Mexe aqui, mexe ali, vai tirando tralhas há muito esquecidas, tudo com muito pó e, de repente, surge na sua frente o que está na imagem abaixo:

É isto mesmo que você está vendo, uma Caravana Casablanca 1967 completa, em estado de loja. Até 1966 a Caravana vinha com os chamados cavalos “magros”, a partir de 1967 com os cavalos “gordos”, cópias da Elastolin.

Pois isto aconteceu com o João Luiz, de São Paulo, hoje com 53 anos, enquanto mexia num dos armários da sua casa.

Em recente viagem que fiz a Belém do Pará o Rodolfo Siqueira me relatou o que sentiu no dia em que abriu um velho armário e reencontrou seus brinquedos – teve a sensação de entrar num túnel do tempo que instantaneamente lhe transportou de volta aos melhores momentos de sua infância. Posso imaginar o que o João Luiz sentiu ao encontrar este pequeno tesouro.

Mas, entusiasmado, o João Luiz resolveu procurar um pouquinho mais, e encontrou o que?

É isto mesmo que seus olhos estão vendo – o raríssimo saloon do conjunto Virginia City. Intacto, como a Caravana.

Nesta altura uma parte do João já tinha voltado a ser criança e ele começou a procurar informações na internet sobre brinquedos de faroeste, e encontrou o nosso site. Encantado com a história, informei ao João quão raro é o Virginia City e como ele deve conservar muito bem este raro saloon. O João também teve a oportunidade de ler o artigo sobre a minha viagem a Belém.

Até então eu não tinha certeza quanto ao ano de lançamento do Virginia City. Tenho a lista de preços da Casablanca de 1967, mas o conjunto não aparece nela. Só que foi anotado à mão na tabela, pelo lojista. Desta forma, poderia ter sido lançado no decorrer de 1967 (após a distribuição da lista de preços do ano), ou em 1968 ou 1969, e, neste caso, o lojista teria feito a anotação em uma lista velha. A minha visita a Belém serviu para reduzir um pouco este intervalo, afinal o Rodolfo ganhou seu Virgínia City no Natal de 1968. Assim, as possibilidades se reduziram para 67 ou 68.

Mas o João liquidou a questão – durante boa parte da sua infância ele manteve um diário. E lá está sacramentado – ele ganhou o Virgínia City no Natal de 1967 (ele queria o Forte Apache, mas estava esgotado). Assim, fica definitivamente determinado – o Virgínia City foi lançado em 1967, e produzido até o encerramento das atividades da Casablanca em 1969.

Como eu gosto de ver as evidências (e mostrá-las aos leitores) questionei o João se ele poderia nos ceder o diário, e ele gentilmente aquiesceu. A página está abaixo:

O João era de Dois Córregos, e foi passar o Natal de 1967 em Marília. Quando a família chegou na cidade as lojas já estavam fechadas, e ele só ganhou os brinquedos dois dias depois. Retornou a Dois Córregos em 2 de janeiro de 1968 e registrou a história em seu diário (agora para a posteridade).

O João disponibilizou outras páginas do seu diário, onde há situações que marcaram as infâncias de todos nós. Nas páginas abaixo, de 1970, ele fala de seus amigos, e conta que brincou com a Caravana e assistiu Rin Tin Tin:

 

Não é à toa que José Messias definiu a década de 1960 da seguinte forma: “a década que nunca deveria ter acabado”.

Após várias trocas de e mails o João já havia se transformado em mais um aficcionado por brinquedos de faroeste, e lamentava ter encontrado apenas um dos edifícios do conjunto Virgínia City.

Mas, alguns dias depois,  recebo um e mail com uma surpresa – o João resolveu vasculhar mais locais da sua casa e ... o que encontrou está nas imagens abaixo:

 

 

 

Encontrou todos os edifícios do Virgínia City (faltando apenas a base) e em excelente estado de conservação.

Para finalizar a série de achados esquecidos em casa o João enviou a foto do seu revólver Xerife (da Estrela) e da bota de cowboy (presente do seu pai), que usava para cavalgar durante a infância.

 

Histórias como esta me estimulam a manter este site no ar.

Agradeço ao João Luiz por ter nos permitido compartilhar sua história e seus achados.

Até a próxima,

Marcos Guazzelli

Março de 2011





Comentários

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De: hugo m ribeiro
quero parabenizar o joão e felicita-lo pelo seu diário que hoje é um verdadeiro documento histórico de uma era de ouro da infancia!!! Que maravilha


De: Jean Carlos C.
Que história mais linda! Obrigado por partilhá-la com os leitores deste excelente site, João Luiz! Estou embasbacado!


De: Celso Manenti
Não há palavras que descrevem a emoção de uma descoberta destas! Basta olhar as fotos, principalmente a primeira, a que mostra a caixa aberta...


De: Celso Manenti
Não há palavras para descrever uma descoberta destas! É só olhar estas imagens, principalmente a primeira, da caixa aberta, e deixar a emoção fluir...


De: Marcelo
Histórias como essa fazem qualquer um se emocionar. Essa foi uma verdadeira viagem no tempo. Que bom que isso foi compartilhado conosco!


De: Richard Kyaw
Esse armário parece mais o do filme "Narnia"!!! É uma porta para outra dimensão!!


De: José Oliveira
Quem dera pudesse um dia abrir um velho armário e encontrar todos meus cavalos, perdidos da minha infância tambem tenho 53 anos e voltei aos 12 agora.


De: João Luiz
Fico emocionado e contente em poder compartilhar um pouco de um tempo tão bom.Sou engº de manutenção e como podem ver conservar já estava no sangue rs


De: Tadeu Mahfud (TedDbest)
Eu sonho todos os dias de abrir um armário e encontrar um conjunto intacto assim! Parabéns e que bela história!


De: cassiano olegario
não e´só a saudade dos brinquedos mas de uma situação toda, um tempo em que a familia se reunia para almoçar junta aos domingos, tudo era mais simples


De: Tássilo
Quem me dera qualquer dia fazer um achado como este rs muito legal...


De: jose
Que sorte joao luis


De: Raul Aguiar
SIMPLESMENTE FANTÁSTICO!