DIVERSOS - NOVEMBRO 2010



1.Olha o saudosista (eu) aqui de novo

Já escrevi várias vezes aqui no site que sou um saudosista. Escrevi também que os saudosistas são menos felizes que as demais pessoas, pois os saudosistas ficam lembrando de um passado que não volta, enquanto que os “normais” vivem o dia de hoje em sua plena intensidade, sem “perder seu tempo” com recordações.

Lembro de cada ano da minha vida com muito carinho. Mas um ano que marcou bastante foi 1979. Eu tinha nove anos, completei 10 em novembro.

Na televisão foram lançadas naquele ano as séries Carga Pesada, Plantão de Polícia e Malu Mulher. As três no mesmo ano. Todas se transformariam em marcos da TV brasileira.

Morávamos numa casa que ficava no centro de um terreno muito grande, cheio de árvores e de cantos para alguém se esconder. À noite fazia um silêncio absurdo, e eu ficava ouvindo cada mínimo ruído que viesse de fora. Era uma mistura de medo com mistério, ao mesmo tempo ruim e gostosa. A série Plantão de Polícia, com histórias policiais, passava à noite e contribuía para este clima de suspense.

A novela das 18h era Cabocla, mas antes dela passava a versão clássica do Sítio do Pica Pau Amarelo (no século XXI querem até proibir Monteiro Lobato para crianças). Às vezes eu chegava em casa, depois da aula, a tempo de assistir o Sítio. Outras vezes atrasava um pouco, e chegava no momento em que estava começando a novela, e a música de abertura nunca mais saiu da minha cabeça: “Cabocla, seu olhar, está me dizendo, que você, está me querendo.” Na voz de Nelson Gonçalves. Mesma voz que marcou com outra música: “criança feliz, feliz a cantar, alegre a embalar, seu sonho infantil”.

Os filmes de faroeste na TV já não eram tão abundantes como em anos anteriores, mas ainda passavam com razoável freqüência. Também passavam as famosas séries americanas dos anos 60. E a sessão da tarde, então? Tinha Tarzan, aventura, guerra.

Naquele ano a família ainda seu reunia todos os dias para almoçar, hábito que logo seria extinto pela correria da vida moderna.

Era comum nos finais de semana irmos todos, crianças e adultos, dormir lá por 5 ou 6 horas da manhã, após virarmos a noite jogando War. Ninguém queria abandonar o jogo enquanto não houvesse um vencedor.

Como a casa era grande, ficava cheia de gente nos finais de semana. Vinha amigo, vinha parente, tinha churrasco, jogos, brincadeiras, gente bêbada, uma festa. E o mais interessante – sem muito dinheiro, a vida era mais barata. Nosso orçamento era bem modesto na época, vivíamos do salário do meu padrasto, que era gerente de nível médio em uma empresa.

O livro do ano foi Spharion, de Lucia Machado de Almeida. Mais de 1 milhão de exemplares vendidos. Eu o li naquele ano mesmo, e guardo meu exemplar até hoje. Série Vaga-Lume da Editora Ática.

No futebol meu time, o Internacional, arrasava e éramos campeões brasileiros invictos. Até hoje ninguém repetiu o feito. E o Inter também nunca mais foi campeão brasileiro...

No meu aniversário, em novembro, ganhei um belo forte apache grande, com base, sendo o primeiro modelo a vir com as torres de vigilância no lugar das tradicionais guaritas. Torres amarelas, e a base do forte era verde. Eu não imaginava que era o último ano em que o brinquedo seria produzido em sua forma clássica. No ano seguinte chegariam as figuras Atlantic, sem pintura. Lembro exatamente do momento em que chegamos na garagem de casa, e eu caminhei pelo calçada até a porta da sala, carregando nos braços a imensa caixa (eu tinha ido junto na loja para escolher o forte).

Na política, foi o ano da anistia. 31 anos depois, quem diria, um determinado partido político quer rever a lei da anistia, para que ela valha somente para um dos lados.
Havia alegria no presente e esperança em relação ao futuro.

Que saudade daquele ano, que saudade de 1979. Que saudade dos bons tempos que não voltam mais. Felizes aqueles que conseguem olhar para o mundo contemporâneo e achar que está tudo bem.

2. Coleção de caixas

Gosto de colecionar as caixas dos brinquedos tanto quanto gosto de colecionar os próprios brinquedos. Acho que muitas das caixas que foram produzidas no Brasil para os brinquedos de faroeste são verdadeiras obras de arte. Tenho muitas caixas na minha coleção, mas ainda me faltam algumas, entre elas a caixa da Fazenda Ponderosa da Casablanca (primeira experiência de Nelson Reis com brinquedos de faroeste).

Recentemente tive o prazer de comprar um lote em conjunto com um amigo e uma nova caixa (que me faltava) veio se somar à coleção, a caixa do Super Fort Apache Rin Tin Tin:



Lembro de quando vi esta caixa pela primeira vez (lá vem saudosismo...). Os que foram criança em Porto Alegre lembrarão de uma loja que havia na Rua da Praia chamada Sloper. Pois bem, eu que até então só conhecia o Forte Apache da Gulliver fui até a Sloper com minha avó determinado dia e resolvi dar uma passada no andar dos brinquedos. Quando lá cheguei, dei de frente com esta caixa, e fiquei louco. Devo ter feito um escândalo para minha avó, mas naquela oportunidade ela resistiu e não me deu o Fort Rin Tin Tin. Mas ... eis que uns 3 ou 4 dias depois minha mãe, que ficara sabendo do escândalo, chegou em casa com um embrulho. Adivinha o que era...

Antigamente eu transformava as caixas dos brinquedos em quadros. Como não há mais lugar para pendurar quadros na minha casa, agora eu apenas as embrulho em plástico transparente e fecho todos os orifícios com fita adesiva. Assim ficam protegidas da umidade, do pó e dos insetos.

3. Então é Natal – 2

Em novembro do ano passado publiquei um artigo denominado Então é Natal, onde falava sobre uma coleção de presépios e da tentativa de resgate no ambiente doméstico do espírito dos Natais de antigamente.

Neste ano adicionei dois itens à decoração de Natal, ambos adquiridos nos Estados Unidos.
Encontrei numa das lojas de lá (Kmart) uma cidade completa, com diversas edificações e figuras. Como não havia espaço na bagagem para mais de uma edificação, trouxe apenas a loja de brinquedos antigos e algumas figuras. Acho que ficou bacana, mas o modelo completo era bonito demais.

Seguem imagens:





A outra peça é uma caixa de música em madeira (toca Noite Feliz) com um presépio:



4.Trabalho do Nelson Reis

O colecionador Eduard Roessler adquiriu um conjunto em leilão e, para sua surpresa, a ilustração é assinada pelo Nelson Reis. Enviei e mail ao filho do Nelson para tentar obter mais informações sobre este trabalho, mas infelizmente não obtive retorno. Segue imagem:



Quando estive com o Nelson, em novembro de 2007, ele me revelou que aquele que foi, em sua opinião, seu trabalho mais bonito para a Gulliver nunca foi para o mercado. Explico – a Gulliver iria lançar no Brasil o Action Man, uma espécie de Falcon. No entanto, a Estrela correu na frente e, em 1977, lançou o Falcon, fazendo com que a Gulliver jogasse no lixo todo o trabalho que já havia sido feito para o lançamento do Action Man. Ao ver a ilustração acima, fiquei com a pulga atrás da orelha – teria outro fabricante aproveitado as ilustrações que o Nelson fez para o malfadado Action Man da Gulliver? Só saberemos a verdade se o próprio Nelson quiser explicar...

5. Museu do Brinquedo de Faroeste

Na atualização de setembro de 2010 escrevi sobre a minha intenção de criar um museu de brinquedos de faroeste em Curitiba. Seria um projeto ousado, tendo em vista os custos envolvidos e as incertezas quanto à atração de público.

Embora tenha havido mais de 30.000 acessos ao site desde que referido artigo foi publicado, recebi apenas 3 manifestações de apoio à idéia, uma no próprio site e duas por e mail.

A pouca repercussão da idéia pode ser um termômetro de que nem entre os colecionadores e apreciadores de brinquedos há muita receptividade ao tema. Se assim é, muito mais difícil seria conseguir que um público que não é colecionador pagasse ingresso para visitar o museu.

Mesmo se tratando de um projeto para tentar ser viabilizado ao longo de 10 anos, sei agora que precisa ser bem melhor avaliado.

6. Canhão da Atlantic

O leitor Deivid Finamor nos envia imagem de uma interessante arma da guerra civil americana, da coleção da Atlantic:



7. A entrevista que foi sem nunca ter sido...

Quase fiquei famoso. Um amigo leitor entrou no site do Programa do Jô e sugeriu o assunto brinquedos de faroeste como pauta. Dias depois a produção do Jô me ligou. Conversamos algumas vezes por telefone, a entrevista seria gravada dia 11/10 e iria ao ar, possivelmente, no dia 12/10, dia das crianças. Mas eis que surge um empecilho – a produção do Jô exigia, para a realização da entrevista, que eu levasse conjuntos da coleção para serem montados no estúdio. O Jô conduziria a entrevista em meio aos brinquedos. Como não tiro os brinquedos das vitrines trancadas em hipótese nenhuma, não houve acerto e a entrevista acabou não acontecendo. Uma pena.

8. Lançamento Gulliver – quem viu?

A Gulliver voltou a lançar os seus tubos plásticos com figuras do acampamento apache. As figuras são as já cansadas Atlantic, mas quem já viu o conjunto diz que vem com a canoa e o totem nos mesmos modelos dos anos 1970, só que na cor do plástico. Eu fico morrendo de inveja dessas pessoas que viram, afinal por todas as cidades onde ando visito as lojas de brinquedos e até agora não vi os tubos à venda em lugar nenhum. Procurei também pelas lojas de brinquedos da internet, e nada.

O parágrafo acima já estava pronto para a publicação quando recebi um e mail do leitor Jean Covezzi (do site Fantasma News) com o seguinte conteúdo:

“O primeiro brinquedo é da Gulliver; trata-se do "Acampamento Apache", composto de dois "tubos", cada qual contendo cinco figuras e um acessório. As figuras são oriundas das já tradicionalíssimas fôrmas da Atlantic; e os acessórios (totem e canoa com remo) são provenientes das clássicas fôrmas da década de 1970. As peças são produzidas em uma borracha (exageradamente) macia, em cores vivas, ao invés do plástico rigído utilizado nas décadas de 1980/90 (o qual prefiro, por questão de maior durabilidade). Os conjuntos são acondicionados em tubos de acetato com um gancho - o que permite aos lojistas expô-los tanto em prateleiras quanto em gôndolas. O diferencial de tais embalagens é que as tampas possuem cores fluorescentes, dando a impressão de terem as bordas "acesas" (infelizmente não consegui captar plenamente esse detalhe nas fotos). Enfim, trata-se de "mais do mesmo"; ainda assim é animador que a Gulliver, que não dá sinais de renovar sua linha de brinquedos de faroeste, ao menos se disponha a ampliar um pouco seu catálogo nessa área. Preço: R$ 9,90 cada tubo.”


O Jean ainda enviou as fotos dos conjuntos:







O segundo brinquedo a que ele se refere no e mail é um conjunto Playmobil (abaixo) que ele encontrou nas Americanas:




9. Onda vintage

O Richard Kyaw nos manda imagem do Zorro recém relançado pela empresa Atlantis, cópia do Zorro da Aurora de tempos passados. Segundo o Richard, um original da Aurora está saindo por 800 dólares, enquanto o modelo relançado (igual) sai por 36 dólares.



10. Forte da Timpo

Por fim, o mesmo Richard nos envia imagem do forte mais raro da Timpo, o forte destruído pelos índios. A imagem é de um leilão internacional.





Até a próxima,
Marcos Guazzelli
Novembro de 2010





Comentários

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De: dmfinamor@hotmail.com
total apoio ao René Cardoso da Bahia e luiz Pizzutti vc entra em contato com o marco leandro http://www.mlantiguidades.com.br/ ele consegue!!


De: cassiano olegario
olhem só, se a gulliver arriscou produzir o totem e a canoa , imaginem quanta coisa deve existir ainda guardada que pode ser produzida!!!


De: Tadeu Mahfud
Compartilho com o Guazelli o saudozismo, sou assim e tbm me acho mais triste que os outros. Belas recordações, museu do brinquedo, vamos lá!


De: René Cardoso da Bahia
Que tal Marcos reunir outros colecionadores de brinquedos,para um Museu do Brinquedo Antigo Multi-Marcas em Curitiba,ir ao Jó na Globo,seria um passo.


De: Luiz Pizzutti
Lamentavelmente, está mesmo difícil encontrar os Fort Apaches, os tubos de índios e os carroções que a Gulliver mantém em linha ou seriam relançados.


De: Pedro luiZ Malaspina
Parabéns pelo site!!!ele é Fantástico(não estamos sós)a Americanas era minha "Meca" qdo criança(tenho 45 anos) Feliz Natal e um abraço...Pedro luiZ SP


De: Marcos Guazzelli
Encontrei numa loja o tubo com a canoa. Do outro, nem sinal ainda...


De: Jean Carlos
Ainda sobre um museu de brinquedos de faroeste, vejam só que ideia interessante a ser seguida: http://www.marxtoymuseum.com/western.htm


De: Jean Carlos
7) E pena a entrevista não ter ocorrido, mas entendo seu ponto de vista. Expor sua coleção a uma viagem tão longa é algo temerário. Um abraço!


De: Jean Carlos
Mas tenho a certeza de que não há quem não apoie.Como poderíamos ajudar,de algum modo? 6,9 e 10) Itens de babar,principalmente o forte!


De: Jean Carlos
5) A ideia do Museu é estupenda!Creia-me:é que é um projeto tão fantástico,que os colecionadores ficaram meio pasmos (eu incluso),daí a reação tímida.


De: Jean Carlos
3) Itens com genuíno espírito de Natal! 4) Uma bela imagem e um intrigante mistério. Só para constar, o Action Man é o GI Joe (Falcon) inglês.


De: Jean Carlos
2) Bela aquisição!Antigamente,os brinquedos vinham em caixas fechadas que encerravam um doce mistério aguçado pelas lindas imagens da tampa.Já hoje...


De: Jean Carlos
Numerando: 1) Belo artigo! Compartilho de seu saudosismo, Marcos. Infelizmente o espírito natalino se perdeu nos últimos anos! Velhos Natais = saudade


De: thehmdrummer@hotmail.com
Vale lembrar que os tubos estão com a cópia da árvore do conjunto Tarzan, no modelo animais selvagens.O Acamp.Apache é perfeito para aumentar coleção.


De: dmfinamor@hotmail.com
esta prevista a chegada de novos tubos pro natal!


De: Tássilo Campos
Foi uma pena mesmo a entrevista no Jô não ter acontecido, teria sido muito legal...


De: dmfinamor@hotmail.com
muito bom! é sinal de que a gulliver reconheceu que os moldes guardados não servem de nada!