Aventuras em Casablanca - Autor: Luís Campos (Blind Joker)



Nota do Autor:

Ao ler os artigos publicados no site "Brinquedos de Faroeste", assinados por alguns colecionadores e fãs do "Forte Apache", brinquedo que também foi dos meus preferidos e, por gostar do gênero "faroeste", decidi escrever este conto, que, na verdade, é minha homenagem a estes abnegados que, como eu, são eternas crianças! No conto, preocupei-me em colocar as "figuras" que vinham nos conjuntos fabricados pela Casablanca e, posteriormente, pela Gulliver.

Os nomes de alguns dos personagens neste conto são minha homenagem às pessoas que, de alguma forma, foram mencionadas no Site "Brinquedos de Faroeste". Espero não esquecer ninguém, mas, se isto ocorrer ou se houver alguma outra falha, levem em conta minha idade. (Risos)

Agradeço ao Marcos Guazzelli as informações que me deu, bem como o parabenizo pela excelência do Site "Brinquedos de Faroeste".

Luís Campos (Blind Joker)

Prólogo

Num território denominado "Casablanca", fica o Acampamento Apache, é passagem de uma Caravana, está a Fazenda Ponderosa, o Forte Apache e a cidade de Virgínia City...

E é nestas "terras da fantasia" que voltamos a ser crianças e nossas aventuras começam! 

 _ * _

No acampamento Apache vê-se a tenda do Chefe e outras cinco para os demais índios. No centro há um totem e, próximo a este, uma fogueira acesa, sobre a qual há um espeto sustentado por duas forquilhas tendo alguns pedaços de carne a assar.

O índio Curandeiro e o índio adorador, juntos ao totem, entoam cânticos dolentes a Manitu.

À volta da fogueira, reunidos para decidirem se declarariam guerra aos caras-pálidas, estão os Chefes Apaches Cochise e Gerônimo; o índio "Grande Conselheiro"; Touro Sentado, chefe dos Sioux Hunkpapa e Cavalo Louco, chefe dos Sioux Oglala...  

Aguardando o resultado desta reunião, próximos às tendas, os guerreiros Alce Veloz, Cavalo Americano, Cavalo Bravo, Coiote Cinzento,  Escudo Dourado, Falcão Negro, Flecha Certeira, Flecha Vermelha, Grande Alce, Grande Trovão, Mão Amarela, Pena Branca e Urso Alto, conversam.

Alheio a esta reunião, ou com outros interesses no momento, um Cacique acompanha uma índia velha e a jovem Raio de Sol que vão em direção à margem do rio, onde dois índios, dentro de suas canoas, com os remos nas mãos, os aguardam. Ancorada próxima a estes, está uma jangada, tendo sobre esta, um pequeno barril.

Mais adiante, um índio caçador trás, pendurada pelas orelhas, uma lebre que abatera em sua caçada matinal.

Um índio, encostado numa pedra, segura seu rifle em posição de tiro e, ali perto, um índio lanceiro, sob a sombra de uma árvore, monta guarda, espetando com sua lança alguns cactos que nasceram nas proximidades das tendas coloridas.

Outros dois índios, montados em seus corcéis malhados, tentam colocar uns seis cavalos selvagens num cercado cujas quatro travessas são sustentadas por quatro forquilhas.

Cinco índios, sentados ali perto, apreciam as peripécias de um "irmão" pulador, e riem com vontade, sem suspeitarem que são observados por um índio renegado que espreita o acampamento Apache...

Após uma hora de reunião, os chefes decidem que não irão lutar contra os brancos, mas Gerônimo não ficou muito satisfeito e, levantando-se furioso, afastou-se do grupo fazendo ameaças...

- Morte aos caras-pálidas! Morte aos invasores de nossas terras!

Neste momento, o tal índio renegado que espreitava a tribo aproxima-se de Gerônimo...

- Gerônimo... Gerônimo!

- O que você quer?

- Estou do seu lado, Gerônimo. Os caras-pálidas tomam nossas terras e matam nossos búfalos! Morte ao homem branco!

- Vou convocar alguns guerreiros para formarmos um grupo e atacar os caras-pálidas. Se quiser, junte-se a nós!

- Estou com vocês! - disse o índio renegado.

Pouco depois Gerônimo galopava à frente de cerca de trinta guerreiros em direção à pradaria.  

Ao ver que Gerônimo e alguns bravos deixavam o Acampamento Apache, Cochise comentou com seus pares, Cavalo Louco e Touro Sentado, sua preocupação com a atitude de Gerônimo e as ações belicosas que ele ameaçava impetrar contra os homens brancos.

- Amigos, alguns jovens guerreiros de nossas tribos, iludidos com as vitórias que Gerônimo promete, estão seguindo este renegado em suas incursões contra os cara-pálida!

- Mas nós decidimos não guerrear, mas conversar com o comandante deles!  

- Sim, Cavalo Louco, mas Gerônimo não quer conversa... quer guerra!

- Mas ele colocará nosso povo em risco, Touro Sentado!

- Eu sei, Cavalo Louco. E o pior é que os caras-pálidas vão pensar que todo o povo índio está em pé de guerra!

- Vamos nos preparar para o pior, Irmãos! - disse Cochise.

_ * _

O silêncio da planície foi quebrado pelos gritos do cavaleiro que galopava em direção à caravana...

- Índios! Índios!

A estes gritos do cowboy que servia de guia à caravana, os colonos que conduziam os carroções formaram um círculo com estes afim de melhor defender-se do ataque inimigo.

A caravana era composta por cinco carroções. Três estavam cobertos com um toldo de lona branca e os dois outros descobertos. Todos traziam, preso à lateral, um barril de água. No interior destes havia outros barris, sacos de mantimentos, caixas de rifles e munições. As carroças eram puxadas por seis, quatro ou dois cavalos. O objetivo destas caravanas era a Conquista do Oeste, graças às promessas de terras férteis e sem dono. Assim, corajosamente estes pioneiros desbravavam as trilhas inóspitas do Oeste, enfrentando, com suas famílias, frio e calor, bandidos, índios e até animais selvagens. Embora soubessem, pelas histórias ouvidas, que enfrentariam perigos e intempéries, estavam dispostos a correr os riscos na busca de um lugar onde pudessem cultivar suas sementes e cuidar de suas criações. Com este intuito, contratavam homens conhecedores da região e com experiência em conduzirem caravanas, para guiá-los.Como em seus carroções transportavam grãos, ferramentas agrícolas,armas, pertences pessoais e dinheiro, as caravanas eram cobiçadas por assaltantes e índios rebeldes que infestavam estes caminhos.

- Eles estão perto, Pagliarini? - perguntou um dos líderes da caravana.

- Sim, seu Rogério. Atrás daquela colina! - respondeu o guia.

- Muito bem, homens! Façamos uma barricada no centro do círculo para proteger as mulheres e crianças! - gritou Cabral, outro dos líderes.

A agitação foi grande. Os homens corriam de um lado para o outro com sacos nas costas, carregando barris e caixas para formar a barricada que protegeria suas mulheres e filhos. Com todos acomodados nessa "trincheira", os homens buscaram proteger-se da melhor maneira possível e aguardaram a investida dos índios. Não demorou muito e Gerônimo e seu bando descia a colina e atacava a caravana. Os índios, galopando à volta desta, gritavam e atiravam, uns com seus arcos, outros com rifles, procurando acertar os colonos.

Flechas e balas zuniam e sibilavam sobre as cabeças dos homens, ora cravando-se nas barricadas, ora nos carroções. A gritaria que os índios fazia assustava mulheres e crianças, mas os homens não estavam dispostos a entregar-se sem luta e, por cerca de meia hora, houve uma intensa batalha. Ao ver que não conseguiria vencer a luta e apossar-se dos bens que a caravana trazia, Gerônimo chamou seus bravos e desistiu da investida, batendo em retirada. Embora a luta fosse ferrenha, não houve mortos ou feridos entre os contendores...

- Eles voltarão! - advertiu o guia.

- Estaremos à espera! - respondeu Raguenet, um outro dos líderes da caravana.

- De qualquer forma, adiantemos nossa viagem. Ainda temos muita terra para percorrer! - concluiu o guia.

Os homens colocaram seus pertences novamente nos carroções, acomodaram mulheres e crianças, sentaram-se nas boléias e puseram os cavalos em marcha, colocando, mais uma vez, os carroções em fila. E a caravana seguiu sua jornada...

 _ * _

O chinês Hop Sing, criado dos Cartwright, preparava o desjejum quando o Xerife Roy Coffe, de Virgínia City, acompanhado por um cowboy, chegaram à Ponderosa. O cachorro da fazenda latiu amistosamente e abanou o rabo numa demonstração de que já conhecia os visitantes.

A família Cartwright já cuidava dos afazeres cotidianos: Hoss e um cowboy, com um laço ao ombro, sobre seus cavalos, cuidavam de alguns cavalos; Little Joe e um outro cowboy levavam as vacas e bois para o pasto; Adam estava no curral cuidando das ovelhas. Um cowboy, montado em seu cavalo, trotando, passou pelos recém-chegados quase no mesmo instante em que Ben Cartwright saía do moinho e vinha saudar os amigos. Os homens apearam dos cavalos, amarrando-os na peça que tinha este fim e caminharam em direção ao proprietário da Ponderosa...

- Que bons ventos os tragam, amigos!

- Bem que eu gostaria, Ben! - respondeu o xerife.

- Más notícias, Roy?

- Os índios atacaram uma caravana, Ben! - respondeu Kid Kansas.

- Isto é mal, Kid!

- É pior do que pensamos, Ben! - disse Roy Coffe. - O povo de Virgínia City está se preparando com receio de que a cidade seja atacada!

- Não acredito em tanta ousadia, Roy! E a Cavalaria?

- Vou passar na cidade, Ben, depois irei ao Forte Apache comunicar o que está acontecendo!

- Será que eles já não sabem, Kid? - indagou Ben Cartwright.

- Talvez, Ben. Eu soube que são renegados comandados por Gerônimo!

- De qualquer maneira, é bom você ficar alerta, Ben!

- Obrigado, Roy. Avisarei aos rapazes! Agora vamos entrar e tomar um café!

E os três homens entraram na casa principal da fazenda. Lá fora, dois carros-de-bois, conduzidos por seus carroceiros, os irmãos Antonio Mauro e Marco Antonio, carregados com feno e moirões para as cercas, chegavam à cocheira. Junto ao poço, Nelson Reis, um dos vaqueiros de Ponderosa, com dois revólveres nos coldres, pegava algumas ferramentas e colocava dentro de uma carroça, já carregada com algumas madeiras. Neste momento, Roberto e Wagner, na boléia de uma carroça carregada de mantimentos, adentrava o portão principal da fazenda, sobre o qual havia um pórtico com o nome desta. Como o pequeno portão secundário encontrava-se aberto, Wagner saltou da carroça para fechá-lo, enquanto Roberto conduzia a carroça até a cozinha da casa principal.

Uma hora depois os visitantes despediam-se de Ben Cartwright...

- Obrigado pelo café, Ben!

- Venha tomá-lo quando quiser, Roy!

- Mais uma vez, obrigado, Ben!

- Você eu não convido, Kid! Hahahahaha!

- Claro, Ben... quase todo dia venho filar seu café! Hahahahaha!

- Se é assim, voltarei mais vezes, Ben! Hahahahahah!

- Quando quiser, Roy... a casa é de vocês!

- Obrigado, Ben. Vamos, Kid?

- Vamos, Roy. Obrigado, Ben!

- Até a próxima, amigos!

O xerife Roy Coffe e Kid Kansas desamarraram seus cavalos, montaram e deixaram Ponderosa, pegando a estrada que os levaria de volta a Virgínia City.

Assim que os amigos saíram, Ben Cartwright mandou que Hop Sing tocasse o sino para convocar uma reunião com os homens da fazenda. Em poucos minutos estavam todos diante da casa principal...

- O que foi, Pai? - pergunto Adam.

- O almoço vai sair mais cedo, Hop? - quis saber Little Joe.

- Nada disso, rapazes. O Gerônimo tornou-se renegado e está atacando tudo pelas redondezas! - explicou Ben.

- Se ele aparecer por aqui, lhe daremos uma lição! - disse Hoss.

- Foi por isto que os convoquei. Não podemos ser pegos de surpresa!

- E o que faremos, Patrão? - perguntou Cassiano, um dos vaqueiros.

- Todos deverão pegar dois rifles e bastante munição. Não quero perder nenhum homem e não vamos deixar que esse Apache rebelde destrua a Ponderosa!

- E Hop não quer perder escalpo, no, Patrão! - disse Hop Sing.

- Não se preocupe, Hop... você tem pouco cabelo! - brincou Little Joe.

Todos riram e Hop Sing fez careta para o filho do patrão...

- Bem, senhores, vão pegar os rifles e voltem ao trabalho. Se houver luta, protejam-se o melhor possível!

- Falou e disse, Pai!

- Você e suas gírias, né, Little Joe?

- É que eu sou jovem, Hoss! Hahahahaha!

- E por causa dessa sua gracinha, Little Joe vai ficar no telhado da cocheira vigiando a fazenda!

- Mas, Pai...

- Não tem conversa. Pegue os rifles e a munição e vá para seu posto!

- Tô indo, Pai... tô indo!

- Bem, rapazes, a reunião acabou. Voltem ao trabalho, mas, se ouvirem o sino antes do meio-dia, preparem-se para defender suas cabeleiras!

Os homens debandaram e Ben entrou em casa para cuidar das contas da fazenda, enquanto Little Joe subia a escada que dava acesso ao telhado da cocheira. Nem bem ele se instalara em seu posto de vigia, notou uma nuvem de poeira a uma certa distância e, desconfiado, deu o alarma...

- São eles... são os Apaches! Hop Sing, toque o sino! - gritou o mais jovem dos Cartwright.

O chinês, apesar de nervoso, sem demora fez soar o sino o mais alto que pôde. Como os homens já estavam avisados, empunharam seus rifles e procuraram um local seguro para defender-se, sem o risco de serem alvejados. Sendo a fazenda muito extensa, não havia como Gerônimo e seus bravos a cercarem, assim eles decidiram atacar a casa grande. Dentro desta, Ben, Hop e alguns vaqueiros postaram-se sob as janelas e revidaram ao ataque dos índios. Estes, sem qualquer proteção, pois estavam em campo aberto, perceberam que não lograriam êxito naquela empreitada e decidiram, até mesmo para evitar desperdício de munição, desistir da luta desigual e, mais uma vez, escafederam-se. Little Joe desceu do seu posto e foi juntar-se aos demais, diante da casa...

- Será que eles voltam, Pai? Não deu nem pro cafezinho! Hahahaha!

- Neste conto, pelo menos, tenho certeza que não, Little Joe!

- E agora, Pai? - perguntou Adam.

- Estou preocupado, rapazes! Eles foram em direção de Virgínia City!

- Podemos formar uma patrulha e persegui-los, Pai! - disse Hoss.

- Não precisa, Hoss! Gerônimo tem pouco mais de trinta guerreiros... Não acredito que possam com o povo da cidade!

- E o que faremos agora, Pai? - quis saber Adam.

Bem... fiquem por aqui! Logo o almoço será servido!

Quando o xerife Roy Coffer e Kid Kansas chegaram em Virgínia City , o povo da cidade se preparava para resistir a um ataque dos índios. Havia barricadas nas entradas principais e em todos os becos.

Virgínia City é a única cidade no território de Casablanca. Seus prédios e casas são feitas com tábuas horizontais, pintadas num tom marrom e todos os telhados em vermelho, deixando a impressão de que suas telhas são esculpidas. Nos estabelecimentos comerciais e residências a conversa girava em torno da rebelião de Gerônimo e seus bravos, bem como sobre o ataque que eles impetraram contra a caravana.

A cidade ainda é pequena e tem poucos imóveis, sendo os mais importantes, o Bank of Virgínia, o Armazém, o escritório do Sheriff, a estrebaria "OK Curral", o escritório da Wells Fargo e o Saloon, por cima do qual fica o hotel, sendo o único prédio com dois pavimentos na cidade e o único que destoa dos demais, visto ser pintado num tom de amarelo. O hotel possui uma balaustrada na cor branca, em toda sua fachada. As calçadas dos prédios, em cor caramelo, ficam acima do nível da rua e, na frente de três destes, há uma escada com três degraus cada, para dar acesso às mesmas. Todas as calçadas são cobertas por uma "meia-água", isto é, um pequeno telhado para proteger os transeuntes da chuva e do sol. Na calçada do Banco e do Armazém há um banco para três pessoas. Nos estabelecimentos existem placas com seus nomes e, diante dos prédios há uma travessa para amarrar os cavalos. Na calçada do Armazém o proprietário coloca sempre alguns sacos de mantimentos, barris, caixas de rifles e de munição.

Na frente da Wells Fargo a diligência estava pronta para deixar a cidade. Os passageiros já ocupavam seus lugares e o cocheiro, tendo um guarda ao lado, já estava em seu posto. Kid Kansas e Roy Coffer aproximaram-se desta...

- Olá, Tiago, cuidado com os índios!

- Estaremos preparados, Xerife! - respondeu o cocheiro.

- Sei, mas todo cuidado é pouco, certo, Raul?

- Tomaremos cuidado, Xerife! - respondeu o guarda.

- Vão em paz! - disse Kid Kansas.

- Eia, cavalos... vamos!

Com o grito do cocheiro os quatro cavalos iniciaram sua marcha. Roy e Kid dirigiram-se ao Saloon. Apearam dos cavalos, amarraram os animais na travessa e, empurrando as "meias-portas" de "vai-e-vem", adentraram no bar e se encaminharam ao balcão...

- Olá, Alan! Como está o movimento?

- Olá, Xerife! Como vocês vêem, o saloon está quase vazio!

- Os cowboys estão nas barricadas, Alan!

- Pois é, Kid! Esse Gerônimo está mesmo agitando essas paragens!

- Mas logo acaba a festa dele, Alan!

- Espero que sim, Xerife... senão vou à falência!

- Ponha duas águas de coco geladinhas para nós, Raul!

- É pra já, Roy! - disse Raul, indo pegar os cocos.

Enquanto o xerife e Kid bebiam suas águas de coco, sentados à uma mesa, num dos cantos do saloon, Fiuza e Vasconcelos conversavam. O xerife aproximou-se deles...

- Olá, Cowboys! Por que não estão ajudando os demais a preparar a defesa da Cidade?

- Eu sou poeta, Xerife! Sou de paz e amor!

- E você, cowboy? - perguntou Roy, virando-se para o outro sujeito.

- E-eu, Xerife... sou parceiro dele!

Com as respostas dos cowboys, Roy Coffer retornou para junto do balcão e pôs-se a degustar sua água de coco, ao lado de Kid e de Raul. De repente ouviram tiros vindos de fora...

- Temos que ir, Alan... pendure a conta!

- Como sempre, Xerife, como sempre! - respondeu Alan, recolhendo os copos que estavam sobre o balcão.

Roy e Kid saíram do saloon e viram o corre-corre na rua Madre de Deus, a única rua de Virgínia City. Procurando se proteger, os cowboy sacaram suas armas para ajudar a defender a cidade...

- Xerife, são os índios! Proteja-se!

- Eu sei, Sidnei! Obrigado!

- Roy, acho que devemos passar no Armazém! O Fernando poderá nos dar alguma munição!

- O Fernando? Aquele muquirana? Duvido!

- Ora, Roy... o Prefeito Andres Lavin assumirá o débito, afinal, ele deu continuidade ao trabalho do Mariano, né?

- Eu sei, Kid, mas algumas coisas mudaram depois disto!

- Bem, não custa tentar!

Enquanto Roy Coffer e Kid Kansas iam em direção ao Armazém, o povo, nas barricadas da rua principal e dos becos, repeliam com bravura ao ataque de Gerônimo e seus guerreiros. No momento que eles chegavam na porta do estabelecimento, dois índios que, pelo telhado deste, conseguiram chegar à rua principal, estavam pegando alguns dos rifles das caixas expostas na calçada. Ao perceberem a presença de Roy e Kid, voltaram-se contra estes, brandindo suas machadinhas. Esquivando-se, o xerife deu um soco no nariz do índio que o atacara, enquanto Kid, ao mesmo tempo, com uma rasteira digna de um capoeirista, derrubava seu agressor. Os dois índios, ao se verem no chão, levantaram e saíram correndo em direção a um beco e, pulando uma cerca ali existente, desapareceram das vistas dos seus perseguidores. Como nada mais havia a fazer, Roy e Kid foram até uma das barricadas da rua e responderam aos tiros dos índios. E, novamente, ao ver o insucesso do ataque, Gerônimo chamou os parceiros, deu meia volta e sumiu na poeira da estrada.

Quando viram os índios fugirem, os homens que, valorosamente defenderam Virgínia City, gritaram e dançaram de alegria.

A paz voltara a reinar na cidade!

_ * _

Eram mais de onze horas da noite quando uma flecha atravessou o ombro de um dos soldados que faziam a ronda sobre a plataforma que circunda o forte, atrás da paliçada. Um outro soldado, que estava numa das guaritas de vigia, gritando, deu o alarme...

- Apaches! Apaches!

Na casa que serve de Quartel-General ao forte Apache, quatro coronéis, o Tenente Rip Masters e Kid Kansas discutiam sobre a reunião que se realizou na aldeia Apache...

- Então, Kid Kansas... o que você viu na aldeia Apache? - perguntou o Coronel Nunes.

- Vi Cochise, Gerônimo, Touro Sentado e Cavalo Louco sentados em volta da fogueira, Coronel Alexandre!

- Não tenho dúvida, Senhores, que estes índios estão tramando alguma!

- O problema é o seguinte, Tenente: os chefes não querem guerra, mas Gerônimo rebelou-se e deixou a reunião gritando furioso! - disse Kid.

- Então Gerônimo está fazendo das dele!

- Pois é, Rip! Antes de vir de Virgínia City, passei com o Xerife Roy Coffe na Fazenda Ponderosa e avisei ao Ben Cartwright que Gerônimo atacara uma caravana! Creio que ele não se descuidará!

- Segundo eu soube, até Virgínia City foi atacada! - disse o Coronel Cerrato.

- Pois é, Coronel. Mas o povo da cidade estava preparado e botou Gerônimo e sua turma pra correr! - respondeu Kid Kansas.

- Bem, Senhores... qual será nossa estratégia? - perguntou Rip Masters.

- Avisar ao Grande Forte Apache e pedir reforços! - respondeu o Coronel Campos.

- Vou organizar uma patrulha e irei atrás desses renegados, Coronel!

- Faça isto, Tenente. A Cavalaria tem a obrigação de manter a paz e a ordem no Território de Casablanca! - disse o Coronel Guazzelli.

- Irei com você, Tenente Rip!

- Será um prazer tê-lo conosco, Kid!

Neste momento, esbaforido, adentra à sala, o pequeno Cabo Rusty, seguido por seu fiel cão, Rin Tin Tin...

- Tenente Rip... Tenente Rip!

- Desculpem-me, Senhores! O que é, Rusty?

- O forte está sendo atacado pelos Apaches!

- Ouviram isto, Senhores? Certamente é o bando do Gerônimo! - disse Kid Kansas.

- Acho melhor eu ir lá fora! Com licença, Senhores!

- Eu também vou, Tenente Rip! - exclamou Kid Kansas.

- Cabo Rusty, você e o Rin Tin Tin ficam aqui dentro!

- Mas Rip... eu também quero lutar!

- Nada disso! Fique aqui dentro e nada de chegar nas janelas!

- Mas eu sou um Soldado... isto é, eu já sou Cabo!

- Por isto mesmo ficará aqui quietinho. Isto é uma ordem, Cabo!

Rusty fez uma careta e, amuado, chamou seu cachorro...

- Venha, Rin Tin Tin! Rip acha que não sirvo pra nada!

O Tenente Rip Masters, Kid Kansas e os quatro coronéis saíram do "QG". Só lá fora foi que eles escutaram o alarido dos soldados e a gritaria infernal de Gerônimo e seus guerreiros. Enquanto eles se dirigiam para as paliçadas, o Tenente interpelou um soldado que passava, procurando abrigar-se das flechas e balas dos índios...

- A que horas começou o ataque, Soldado?

- Tem cerca de dois minutos, Senhor!

- Mas índios não costumam atacar estas horas! É quase meia-noite!

- O Senhor não conhece estes Apaches, Tenente!

- Mas isto é muito estranho, Soldado!

- Estou vendo que o Senhor é novo neste forte, Tenente!

- É verdade. Eu e outros companheiros chegamos hoje à tarde para a reunião desta noite!

- Logo vi! Todas as noites, neste mesmo horário, eles nos atacam, Senhor!

- Isto acontece há muito tempo, Soldado?

- Sim, Senhor... eu já estou aqui há uns dois meses e todas as noites é a mesma coisa!

- Obrigado, Soldado! - disse Rip Masters, despedindo-se do soldado e correndo em direção ao portão do forte...

- Rip, vou orientar os soldados na proteção da paliçada dos fundos!

- Faça isto, Kid!

Enquanto este diálogo acontecia, o forte entrava em polvorosa. Soldados e cowboys corriam de um lado para o outro, procurando proteger-se das flechas que cortavam os ares e iam cravar-se, ora num soldado, ora nas madeiras das casas ou da paliçada. Até a bandeira que ficava no mastro fora atingida por uma flecha. Dois soldados e um cowboy, montados em seus cavalos procuravam abrigar-se das flechas e tiros dos índios. Um pistoleiro, de passagem pelo forte, também buscava proteção. Três cowboys, com cara de mocinhos de cinema, juntaram-se aos soldados na defesa do forte da sanha assassina dos índios. Um cowboy "atirador" subiu uma das quatro escadas que davam acesso à plataforma atrás das paliçadas, disposto a vender caro sua pele e seu escalpo.

Lá fora os Apaches corriam em volta do forte, uns sobre seus cavalos malhados, outros a pé, com seus arcos e rifles prontos para atirar contra os inimigos, fazendo a maior algazarra com seus gritos de guerra. Alguns tentavam escalar as paliçadas e outros investiam contra os portões, na tentativa de arrombá-los, mas eram rechaçados pelos soldados. A luta era das mais duras, mas ninguém desistia de lutar...

- Morte aos casacos azuis!

- Vão pro inferno, seus peles-vermelhas!

- Morram, caras-pálidas!

- Acabem com esses Apaches, soldados!

E assim, trocando insultos, o combate durou quase três horas, até que, pela quarta vez, diante das infrutíferas tentativas de conseguir seu intento e sem vencer nenhuma das batalhas que começou, Gerônimo e seus guerreiros abandonaram o campo de luta e fugiram para o esconderijo que mantinham nas Montanhas Gulliver... 

 _ * _

Assim que os índios se foram e as coisas voltaram à normalidade no Forte Apache, nesta mesma madrugada, O Tenente Rip Masters e os coronéis Campos, Cerrato, Guazzelli e Nunes, em companhia de Kid Kansas e de uma patrulha da cavalaria, rumaram para o Acampamento Apache com o fim de conversar com o Chefe Cochise a respeito da situação. Cavalgaram cerca de uma hora e, quando se aproximaram da aldeia Apache, Kid Kansas adiantou-se para ver como estariam as coisas e também para dar ciência aos índios que a visita era pacífica. Os militares foram recebidos com amizade por todos. Cochise mandou chamar os chefes Touro Sentado e Cavalo Louco para, juntamente com ele e os quatro coronéis, sentarem-se em volta da fogueira e fumarem o cachimbo da paz. Os três chefes prometeram que seus guerreiros iriam capturar Gerônimo e os demais renegados para puni-los conforme as Leis do seu povo.

Acordo feito, a comitiva militar retornou ao Forte Apache.

Tudo está bem, quando acaba bem!

 _ * _

Por volta das sete horas da manhã, quando Vinícius acordou, nem parecia que houvera toda aquela movimentação entre seus brinquedos durante parte da noite. Todos estavam nas mesmas posições que ele deixara, antes de deitar e adormecer!

- FIM do Conto -





Comentários

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De: Luiz carlos pagliarini
Parabéns Luiz, pela excelente estória foi magnífica e obrigado pela responsabilidade que me deu em tomar conta da caravana, abraços.


De: cassiano Olegario
MARAVILHOSO!!!!! ATÉ EU ENTREI NA HISTÓRIA , MUITO BOA TUA INICIATIVA, NÃO FICA DEVENDO NADA AOS GIBIS DO TEX (QUE EU COLEÇIONO TAMBÉM!!!)UM ABRAÇÃO!!